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PL que estende patentes pode elevar custos da soja

Proposta prevê compensação de até cinco anos por atrasos do INPI e pode manter cobrança de royalties, pressionando ainda mais as margens dos produtores

PL que estende patentes pode elevar custos da soja

Extensão de patentes pode manter cobrança de royalties na soja. Foto: Canva

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Foto do autor Redação RuralNews
12/02/2026 |

O Projeto de Lei 5810/2025, que propõe a extensão do prazo de patentes em casos de atraso na análise pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), tem gerado preocupação no setor agropecuário. A proposta prevê compensação de até cinco anos ao titular da patente, reacendendo o debate sobre segurança jurídica e impactos econômicos.

Um requerimento de urgência apresentado à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados no ano passado pode levar o texto diretamente ao plenário. Em ano eleitoral, o tema tende a ganhar ainda mais sensibilidade política.

Impacto direto para produtores de soja

Entre os setores potencialmente mais afetados está o da soja. A tecnologia Intacta, presente em cerca de 80% da área plantada no país, possui patentes próximas do vencimento. A entrada em domínio público poderia reduzir custos de produção e ampliar a competitividade do produtor brasileiro.

O PL 5810/2025, no entanto, pode postergar essa transição por até cinco anos, mantendo a cobrança de royalties. Atualmente, o titular já conta com proteção econômica desde o depósito do pedido no INPI, inclusive com possibilidade de indenização retroativa prevista no artigo 44 da Lei de Propriedade Intelectual.

Além disso, produtores em diversos estados movem ações judiciais questionando a validade e a extensão das patentes ligadas à tecnologia Intacta. A tese central é que atrasos administrativos não justificam ampliação do prazo constitucional. A eventual aprovação do projeto pode interferir nesses litígios e enfraquecer a posição dos agricultores.

Com margens pressionadas por custos de insumos, logística e crédito, a manutenção dos royalties por mais cinco anos pode representar impacto bilionário ao setor.

O projeto também pode afetar outros insumos estratégicos, como pesticidas cujas patentes estão próximas do vencimento. A extensão de prazos retardaria a entrada de genéricos no mercado, mantendo preços elevados e reduzindo a concorrência.

Entenda o debate jurídico

O tema voltou à pauta após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI 5529, em 2021. Na ocasião, o Tribunal declarou inconstitucional o dispositivo que garantia prazo mínimo de dez anos de vigência após a concessão da patente, por entender que criava prazos indeterminados e prejudicava a livre concorrência.

Com a decisão, as patentes passaram a ter prazos fixos de 20 anos para invenção e 15 anos para modelo de utilidade.

O PL 5810/2025 busca criar um mecanismo de compensação limitado, mas especialistas apontam que ele pode reintroduzir, ainda que de forma indireta, a lógica já considerada inconstitucional, ao vincular a extensão ao tempo de análise do INPI.

Entre os pontos de tensão estão a transferência do custo da morosidade estatal para terceiros — como produtores rurais e o próprio poder público — e possíveis questionamentos quanto à função social da propriedade intelectual, prevista na Constituição.

Paralelamente, o Congresso debate o PL 160/2026, do Senado Federal, que trata do licenciamento compulsório do medicamento tirzepatida, indicando que a pauta da propriedade intelectual segue em evidência.

Entidades do setor produtivo acompanham a tramitação do PL 5810/2025 e defendem que a solução para a morosidade do INPI não resulte em novos custos ao produtor rural, especialmente em um cenário de margens cada vez mais apertadas.

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Editor RuralNews
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TAGS: #PL # Custos
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