Internacional 06-03-2026 | 10:39:00

Brasil e China avançam em plataforma para cadeias verdes

Iniciativa busca fortalecer o comércio de alimentos sustentáveis e ampliar a rastreabilidade nas cadeias de soja e carne bovina

Por: Francieli Galo

Na terça-feira (04/03), o Sistema OCB recebeu uma delegação internacional envolvida no projeto. O encontro marcou o início de uma agenda presencial no Brasil voltada ao entendimento do papel das cooperativas na construção de cadeias produtivas mais resilientes, transparentes e sustentáveis.
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A plataforma é co-liderada pela Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com financiamento da Agência Norueguesa para a Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD). A iniciativa surgiu há cerca de dois anos, diante da percepção de que, apesar da forte relação comercial entre Brasil e China, ainda existe fragmentação de dados, certificações e protocolos ligados às exigências socioambientais na produção de soja e carne bovina.
Iniciativa entre Brasil e China busca fortalecer cadeias sustentáveis de soja e carne bovina. Foto:


A proposta é estruturar cadeias de valor mais sustentáveis e inclusivas, combinando pesquisa aplicada, intercâmbio técnico e diálogo com formuladores de políticas públicas. Segundo Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, o projeto ganha importância diante da crescente demanda chinesa por produtos com certificação e comprovação de origem sustentável.

Atualmente, diferentes iniciativas públicas e privadas coexistem no Brasil, incluindo programas governamentais, certificações e protocolos setoriais. A plataforma pretende reunir essas informações em um hub de conhecimento, que organize dados, políticas públicas e boas práticas adotadas por cooperativas e empresas em diferentes regiões do país.

Cooperativismo como elo estratégico



Durante a reunião, os pesquisadores demonstraram interesse em compreender como as cooperativas estruturam a relação com os produtores rurais e disseminam tecnologia, assistência técnica e protocolos ambientais no campo.

Nesse contexto, o cooperativismo foi apontado como um elo estratégico para conectar as exigências do mercado internacional às práticas produtivas adotadas pelos agricultores.

A delegação internacional reúne pesquisadores ligados ao Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFBR), à Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e à organização The Nature Conservancy (TNC).

A agenda no Brasil também inclui visitas técnicas em Sinop (MT), onde os participantes poderão conhecer de perto cadeias produtivas de soja e pecuária de corte, além dos mecanismos de monitoramento socioambiental utilizados no país.

Dentro do escopo técnico da plataforma, estão previstas análises de cenários até 2050, estudos climáticos voltados à produção de soja e carne bovina, avaliações sobre possíveis barreiras ambientais e iniciativas de harmonização de padrões de sustentabilidade.

Também fazem parte da agenda temas como mitigação do desmatamento, fortalecimento de sistemas de rastreabilidade e desenvolvimento de instrumentos de finanças verdes para apoiar cadeias produtivas mais sustentáveis.

No Brasil, além do Sistema OCB e da FGV, participam do projeto instituições como a Embrapa, a Esalq/USP, o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Embaixada do Brasil na China. Do lado chinês, integram a rede organizações como a Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica (CAITEC), a Academia Chinesa de Silvicultura (CAF) e universidades como Zhejiang, Pequim e Tsinghua.

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Brasil - China - Plataforma - Cadeias verdes - Rastreabilidade - Soja - Carne bovina


Texto publicado originalmente em Notícias
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