Fertilizantes 04-03-2026 | 12:00:00

Conflito no Oriente Médio ameaça oferta global de ureia

Tensão na região que concentra grande fatia das exportações de fertilizantes reduz ofertas e pode pressionar preços internacionais

Por: Francieli Galo

A avaliação é da StoneX. Segundo a consultoria, o peso da região no comércio internacional torna qualquer instabilidade um fator relevante para os preços.
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Em 2024, o Oriente Médio respondeu por 41% das exportações mundiais de ureia. Além disso, concentrou 28% das vendas globais de amônia e 29% das exportações de DAP. Portanto, eventuais interrupções na produção ou na logística tendem a afetar diretamente os fluxos comerciais.
Tensão no Oriente Médio ameaça oferta global de ureia e eleva incerteza no mercado de fertilizantes. Foto: Canva


Neste momento, investidores ainda analisam os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. A incerteza permanece elevada. Mesmo assim, fornecedores da região já retiraram ofertas do mercado enquanto aguardam maior clareza sobre o cenário geopolítico.

Logística também preocupa



Outro ponto de atenção é a rota marítima. Navios evitam trafegar pelo Estreito de Hormuz, corredor estratégico para o escoamento de fertilizantes. Esse movimento pode atrasar embarques e elevar custos logísticos.

Além disso, a valorização do petróleo diante das tensões geopolíticas pressiona os combustíveis. Como resultado, os fretes internacionais ficam mais caros. Para países importadores líquidos de fertilizantes, como o Brasil, esse cenário amplia o risco de alta nos custos.

O Irã ocupa posição estratégica nesse contexto. Em 2024, o país respondeu por 11% das exportações globais de ureia e 5% das de amônia. Fontes de mercado indicam que o Irã embarcou cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia ao Brasil no ano passado, o equivalente a aproximadamente 16% das importações brasileiras do produto.

Caso o conflito no Oriente Médio comprometa a capacidade exportadora iraniana, o impacto pode ser significativo para compradores globais, especialmente o Brasil, que depende das importações para suprir a demanda por nitrogenados.

Por outro lado, o calendário reduz parte dos efeitos imediatos no mercado brasileiro, que já está fora da alta temporada de compras. Ainda assim, países como Estados Unidos, Austrália e parte da Europa podem sentir reflexos mais diretos no curto prazo.

Dessa forma, o mercado trata o conflito no Oriente Médio como um fator altista. A duração da crise, a extensão dos danos e o número de países envolvidos serão determinantes para a magnitude dos impactos sobre os preços globais.

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Texto publicado originalmente em Destaque
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