Paraná lidera piscicultura e puxa Brasil ao marco de 1 milhão de toneladas
Estado produziu 273,1 mil toneladas em 2025, com avanço de 9,1% puxado pela tilápia; porém cenário de preços em queda e tensão comercial acende alerta no setor
Por: Franciele Galo
O Paraná segue na liderança nacional na produção de peixes de cultivo. De acordo com a 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, lançada nesta terça-feira (24), o Estado produziu 273,1 mil toneladas em 2025 — crescimento de 9,1% em relação ao ano anterior. O avanço paranaense ajudou o Brasil a atingir um marco histórico: 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo produzidos. Até então, apenas seis países no mundo haviam superado essa marca.
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Segundo Miguel Cesar Antonucci, assessor técnico de piscicultura do IDR-Paraná, o desempenho do Estado está diretamente ligado ao foco na tilápia. A espécie representa 70% da produção nacional e 98% de toda produção paranaense. Outro diferencial do estado é o modelo produtivo. “A piscicultura no Paraná é organizada, com forte atuação das cooperativas e modelo de integração, o que dá mais estrutura e segurança ao produtor”, explica.
Ainda segundo Miguel, a região Oeste concentra cerca de 80% da produção estadual, mas outras regiões começam a se estruturar para ampliar a atividade. A expectativa é de manutenção do crescimento, especialmente na tilápia.No ranking nacional, São Paulo aparece em segundo lugar, com 93,7 mil toneladas, volume 0,54% superior ao de 2024. Minas Gerais vem na sequência, com 77,5 mil toneladas, seguido por Santa Catarina (63,4 mil toneladas) e Maranhão (59,6 mil toneladas), que subiu uma posição e fecha o grupo dos cinco maiores produtores do país.
Tilápia amplia protagonismo -Espécie dominante no Paraná, a tilápia também avançou no cenário nacional. A produção brasileira ultrapassou 707 mil toneladas em 2025. Desde o primeiro levantamento da Peixe BR, o crescimento acumulado é de 148,2%.Para Miguel, a força da tilápia está na combinação entre produtividade e aceitação do mercado. É uma espécie resistente, de bom desempenho zootécnico e com forte demanda do consumidor. “No formato filé, é um produto sem espinhos, de preparo simples, que caiu no gosto do brasileiro”, destaca Antonucci.
Preços pressionam produtor -Apesar do avanço na produção, o ano foi desafiador para o setor. O preço do filé de tilápia recuou 18,9% em 2025 (média até novembro) na comparação com o mesmo período do ano anterior. A indústria absorveu parte da queda para estimular o consumo, mas o movimento acendeu alerta no campo. A produtora Marilaine Del Pintor Sanches afirma que a principal preocupação é a descapitalização. “Com preço mais baixo, o produtor pode ter dificuldade para investir na próxima repovoação dos tanques”, pontua.
O cenário foi influenciado pela maior oferta de peixes com biomassa elevada no primeiro semestre, o que pressionou as cotações. O ambiente externo também trouxe desafios. A imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, principal destino da tilápia brasileira, afetou os embarques, principalmente em agosto e setembro.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de tilápia e derivados somaram 14,2 mil toneladas — 1% abaixo do registrado no mesmo período de 2024.
Outro ponto de atenção foi a abertura do mercado brasileiro para a tilápia do Vietnã. Embora o impacto ainda não seja significativo, o setor acompanha com cautela questões sanitárias e de competitividade. “Há mobilização de associações e entidades para proteger a produção nacional e garantir equilíbrio de mercado”, afirma Antonucci.Na contramão da tilápia, a produção de peixes nativos caiu pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025 o volume chegou a 257 mil toneladas, retração de 0,63% frente ao ano anterior.
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Texto publicado originalmente em Capa
Segundo Miguel Cesar Antonucci, assessor técnico de piscicultura do IDR-Paraná, o desempenho do Estado está diretamente ligado ao foco na tilápia. A espécie representa 70% da produção nacional e 98% de toda produção paranaense. Outro diferencial do estado é o modelo produtivo. “A piscicultura no Paraná é organizada, com forte atuação das cooperativas e modelo de integração, o que dá mais estrutura e segurança ao produtor”, explica.
Foto: Jonathan Campos / AEN
Ainda segundo Miguel, a região Oeste concentra cerca de 80% da produção estadual, mas outras regiões começam a se estruturar para ampliar a atividade. A expectativa é de manutenção do crescimento, especialmente na tilápia.No ranking nacional, São Paulo aparece em segundo lugar, com 93,7 mil toneladas, volume 0,54% superior ao de 2024. Minas Gerais vem na sequência, com 77,5 mil toneladas, seguido por Santa Catarina (63,4 mil toneladas) e Maranhão (59,6 mil toneladas), que subiu uma posição e fecha o grupo dos cinco maiores produtores do país.
Tilápia amplia protagonismo -Espécie dominante no Paraná, a tilápia também avançou no cenário nacional. A produção brasileira ultrapassou 707 mil toneladas em 2025. Desde o primeiro levantamento da Peixe BR, o crescimento acumulado é de 148,2%.Para Miguel, a força da tilápia está na combinação entre produtividade e aceitação do mercado. É uma espécie resistente, de bom desempenho zootécnico e com forte demanda do consumidor. “No formato filé, é um produto sem espinhos, de preparo simples, que caiu no gosto do brasileiro”, destaca Antonucci.
Preços pressionam produtor -Apesar do avanço na produção, o ano foi desafiador para o setor. O preço do filé de tilápia recuou 18,9% em 2025 (média até novembro) na comparação com o mesmo período do ano anterior. A indústria absorveu parte da queda para estimular o consumo, mas o movimento acendeu alerta no campo. A produtora Marilaine Del Pintor Sanches afirma que a principal preocupação é a descapitalização. “Com preço mais baixo, o produtor pode ter dificuldade para investir na próxima repovoação dos tanques”, pontua.
O cenário foi influenciado pela maior oferta de peixes com biomassa elevada no primeiro semestre, o que pressionou as cotações. O ambiente externo também trouxe desafios. A imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, principal destino da tilápia brasileira, afetou os embarques, principalmente em agosto e setembro.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de tilápia e derivados somaram 14,2 mil toneladas — 1% abaixo do registrado no mesmo período de 2024.
Outro ponto de atenção foi a abertura do mercado brasileiro para a tilápia do Vietnã. Embora o impacto ainda não seja significativo, o setor acompanha com cautela questões sanitárias e de competitividade. “Há mobilização de associações e entidades para proteger a produção nacional e garantir equilíbrio de mercado”, afirma Antonucci.Na contramão da tilápia, a produção de peixes nativos caiu pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025 o volume chegou a 257 mil toneladas, retração de 0,63% frente ao ano anterior.
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