Paraná registra exportações recorde de suínos enquanto setor de leite enfrenta retração
Enquanto produtores de leite enfrentam queda nos preços, suinocultores comemoram recordes históricos na exportação
Por: Redação RuralNews
Impactos climáticos e desafios da soja
As fortes tempestades do início de novembro provocaram danos expressivos às lavouras de verão, sendo a soja a mais atingida. O Deral estima que cerca de 270 mil hectares sofreram algum tipo de dano. Entre eles, 80 mil hectares tiveram prejuízos severos e precisarão ser replantados, elevando os custos de produção. Além disso, outros 190 mil hectares devem registrar queda na produtividade. Consequentemente, as regiões mais afetadas foram Campo Mourão, Londrina e Maringá.Cevada em alta e oportunidades para produtores
Em contrapartida, a cevada apresenta cenário favorável. A colheita avançou rapidamente, passando de 56% para 83% da área em apenas uma semana, especialmente em Entre Rios, Guarapuava. Apesar do excesso de umidade, a qualidade do produto se manteve. Além disso, contratos firmados em valores vantajosos e a boa produtividade devem garantir margens positivas aos produtores. Dessa forma, em fevereiro, a saca chegou a R$ 92,08, 29% acima do preço atual, assegurando alta rentabilidade.
Exportações de carne suína do Paraná alcançaram 22,18 mil toneladas em outubro. Foto: Jaelson Lucas / AEN
Suínos em crescimento e diversidade na olericultura
O setor de suínos segue em forte expansão. Em outubro de 2025, o Paraná exportou 22,18 mil toneladas de carne suína, o segundo maior volume mensal desde 1997, crescimento de 7,9% frente ao mesmo mês de 2024. O recorde continua sendo setembro de 2025, com 25,18 mil toneladas. Além disso, as Filipinas lideram como principal destino pelo sexto mês consecutivo, com 5,39 mil toneladas, aumento de 61,6%. Outros mercados relevantes incluem Hong Kong, Uruguai, Argentina, Singapura, Vietnã, Geórgia, Emirados Árabes Unidos, Costa do Marfim e Angola. Com esse desempenho, o Paraná já superou o volume total exportado em 2024, estabelecendo novo recorde anual.O leite atravessa um período de retração. Em outubro, o litro pago ao produtor ficou em média R$ 2,51, queda de 5,5% em relação a setembro e 12,5% em relação a 2024. Consequentemente, a relação de troca subiu para 24,4 litros de leite por saca de milho, pressionando a rentabilidade. Para o consumidor, porém, o preço do leite longa vida caiu 11% em 12 meses, sendo 4% apenas em outubro.
Diversidade e importância econômica
O boletim destaca ainda a olericultura, setor que reforça a diversidade produtiva do Estado. Em 2024, o Valor Bruto da Produção (VBP) atingiu R$ 7,1 bilhões, representando 3,8% do total do agronegócio estadual. Foram cultivados 115,8 mil hectares, com 2,9 milhões de toneladas colhidas, concentradas em batata, tomate e mandioca “in natura”, responsáveis por quase metade da produção e da renda.O Núcleo Regional de Curitiba segue como principal polo, com R$ 2,4 bilhões em VBP, seguido por Guarapuava (R$ 726,6 milhões), Ponta Grossa (R$ 489,1 milhões), Apucarana (R$ 420,3 milhões) e Jacarezinho (R$ 415,6 milhões). A diversidade é marcante: em Curitiba são cultivadas 48 espécies, incluindo couve-flor, batata, mandioca, alface e brócolis.
Além disso, em Guarapuava, a batata representa 67% da renda regional, enquanto em Ponta Grossa, tomate e batata respondem por 71,6% do VBP. Já em Apucarana e Jacarezinho, cenoura, tomate, pimentão e pepino são os principais produtos.
Novos horizontes para o agronegócio paranaense
Além dos dados já mencionados, o boletim reforça que o equilíbrio entre setores em crescimento e retração demonstra a resiliência do agronegócio estadual. Dessa forma, com planejamento e investimentos adequados, os produtores podem aproveitar oportunidades, garantindo sustentabilidade e crescimento para os próximos anos.TAGS:
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Texto publicado originalmente em Notícias
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