Safra 08-12-2025 | 15:29:00

Rentabilidade da soja e do café segue forte no Paraná

Café e soja mantêm margens elevadas no Paraná, mas leite, ovos e suínos convivem com queda de preços e ajustes do mercado

Por: Redação RuralNews

Café mantém forte rentabilidade

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A cafeicultura vive um de seus melhores momentos recentes. A estimativa para a safra atual chega a 745 mil sacas beneficiadas, aproximadamente 10% acima do volume de 2024. Esse avanço se explica pelas condições climáticas mais favoráveis, com melhor disponibilidade hídrica ao longo do ciclo produtivo.
Produtores de soja do Paraná seguem com boa lucratividade. Foto: Geraldo Bubniak / AEN


Além disso, mais de 80% da safra já foi comercializada com preços elevados. A maior parte das negociações superou R$ 2.000 por saca. Mesmo com um recuo sazonal entre julho e agosto, os valores permanecem próximos desse patamar, cerca de 15% acima da média de 2024. Dessa forma, o custo total de produção, hoje em R$ 1.137,00 por saca beneficiada, garante ampla margem ao cafeicultor.

Soja segue com custos estáveis e lucro elevado



No caso da soja, a lucratividade continua atrativa. Os custos variáveis somam R$ 3.212,00 por hectare para a expectativa de 55 sacas produzidas, o que representa aumento leve de apenas 0,76% frente ao ano passado. Esse avanço está ligado principalmente ao transporte externo, às sementes e aos fertilizantes. No entanto, o recuo de 7% no gasto com agrotóxicos ajudou a conter a alta geral.

Enquanto isso, a saca é negociada em torno de R$ 120,00, o que mantém a lucratividade bruta estimada acima de 100%. O plantio também está praticamente concluído no Paraná, com 99% dos 5,77 milhões de hectares previstos já semeados.

Leite enfrenta retração contínua nos preços



O setor lácteo segue em um cenário mais desfavorável. Em novembro, o preço do litro entregue às indústrias caiu 5,74% em comparação a outubro. Dessa forma, o acumulado de queda nos últimos 12 meses já chega a aproximadamente 18%. A maior oferta interna e a pressão das importações influenciam de maneira direta essa realidade.

Somente em outubro, as indústrias paranaenses importaram 250 toneladas de leite em pó, aumento de 25% sobre setembro. No entanto, esse movimento tende a desacelerar a partir de novembro, após a entrada em vigor da lei estadual 22.765/2025. A nova norma proíbe a reconstituição de leite em pó importado no Paraná e pode melhorar o cenário para a produção local ao longo dos próximos meses.

Suinocultura reduz margens após pico de outubro



Por outro lado, a suinocultura registrou em outubro o melhor resultado econômico do ano. A margem atingiu R$ 1,45 por quilo, refletindo preços maiores ao produtor e custos ainda controlados. O valor recebido chegou a R$ 7,22 por quilo, com altas de 0,8% sobre setembro e de 3,8% frente a outubro de 2024.

Ao mesmo tempo, o custo estimado pela Embrapa Suínos e Aves permaneceu em R$ 5,77 por quilo. Contudo, em novembro, a tendência já é de leve redução na rentabilidade, devido à queda de 1,2% no preço pago ao produtor.

Ovos mostram contraste entre exportações e tarifa dos EUA



O mercado de ovos apresenta um cenário dividido. De janeiro a outubro, o Brasil exportou 49,8 mil toneladas de ovoprodutos, alta de 36,8% em relação ao mesmo período de 2024. O faturamento chegou a US$ 163,4 milhões. O Paraná se mantém como o quarto maior exportador do país. Porém, também registra queda no volume embarcado (-33,3%) e na receita (-24,4%), ainda na comparação anual.

Além disso, os Estados Unidos continuam como principal destino dos produtos brasileiros. Contudo, o tarifaço de 50%, imposto em agosto, derrubou as importações. As compras do país caíram de 3.774 toneladas em julho para apenas 41 toneladas em outubro, o que representa retração superior a 80% tanto em volume quanto em receita.

O governo norte-americano retirou a tarifa adicional para alguns produtos brasileiros em novembro de 2025, como café, carnes e frutas tropicais. Entretanto, os ovoprodutos ficaram de fora, deixando o setor em compasso de espera para recuperar o ritmo de crescimento no comércio internacional.

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Texto publicado originalmente em Notícias
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