Açúcar 01-02-2026 | 8:20:00

Superávit de açúcar persiste mesmo após corte no Brasil

Mercado mundial de açúcar segue abastecido, com estoques elevados e impacto limitado da revisão na safra do Brasil

Por: Redação RuralNews

Segundo Marcelo Di Bonifacio Filho, analista da StoneX, a projeção caiu quase 800 mil toneladas frente a novembro. O principal motivo foi o corte superior a 1 milhão de toneladas na produção brasileira, considerando Centro-Sul e Norte-Nordeste. Ainda assim, o ajuste não muda a percepção de mercado abastecido.
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Os estoques globais devem crescer 4% e atingir 76,7 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoque/uso sobe para 39,6%, acima da média dos últimos cinco anos. Esse nível ajuda a explicar o comportamento mais estável das cotações.
Oferta global de açúcar segue elevada, com estoques em alta e impacto limitado da revisão na safra brasileira. Foto: Canva


O desempenho global foi heterogêneo. Enquanto Tailândia e China enfrentaram atrasos, a Europa produziu mais que o previsto. Na Índia, a colheita avançou em ritmo acelerado.

Brasil influencia, mas não altera equilíbrio



No Brasil, o Centro-Sul processou mais de 600 milhões de toneladas de cana em 2025/26. A produção de açúcar superou a da safra anterior. No Norte-Nordeste, porém, usinas direcionaram mais matéria-prima ao etanol, o que reduziu o mix açucareiro.

Apesar dos sinais divergentes, o superávit global próximo de 3 milhões de toneladas sustenta as cotações atuais. Por outro lado, o nível de estoques limita espaço para altas expressivas.

O regime de chuvas no Centro-Sul até março segue no radar. Caso as precipitações fiquem abaixo da média, a oferta de cana pode diminuir. Além disso, novas revisões de safra em Tailândia, China e Índia também devem influenciar o mercado.

Américas e Ásia redesenham oferta



A produção de açúcar nas Américas deve cair 1,3% em 2025/26, puxada pela revisão negativa no Brasil. No Nordeste, o mix açucareiro recuou para 45%. Jo Centro-Sul, o etanol hidratado passou a remunerar melhor que o açúcar em alguns estados, o que reduziu a estimativa para 40,7 milhões de toneladas.

No México, atrasos climáticos não alteraram a projeção de 5,1 milhões de toneladas. Já nos Estados Unidos, perdas na beterraba foram compensadas pelo recorde no açúcar de cana.

Na Índia, o processamento de cana cresceu 19% até meados de janeiro. A produção de açúcar soma 15,9 milhões de toneladas. A expectativa é fechar a safra com 32,3 milhões, mesmo com parte da cana destinada ao etanol. O consumo interno deve subir, enquanto as exportações avançam lentamente.

A Tailândia enfrenta atrasos devido ao excesso de chuvas e a restrições à cana queimada. A produção foi revisada para 10,5 milhões de toneladas.

Mudança estrutural no mix brasileiro



Para 2026/27, a StoneX aponta mudança estrutural no Centro-Sul, com maior foco no etanol. A queda dos preços do açúcar e a valorização do biocombustível incentivam essa decisão. O mix açucareiro deve recuar para 49,6%.

A área colhida pode chegar a 8,17 milhões de hectares. A moagem prevista é de 620,5 milhões de toneladas. O etanol de milho segue em expansão e deve alcançar 9,4 bilhões de litros.

No Nordeste, a produção de açúcar pode cair mais de 18%, influenciada por menor ATR e mix reduzido. Ao mesmo tempo, projetos de etanol de milho no MATOPIBA devem elevar a oferta regional de biocombustível.

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Texto publicado originalmente em Notícias
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