Tecnologia 25-04-2021 | 21:51:00

Evento virtual reúne técnicos do Brasil, China e Equador para trocar experiências sobre assistência técnica digital

O Fórum Brasil reuniu profissionais do Brasil, China e Equador para mostrar modelos e experiências bem-sucedidas que utilizam tecnologias digitais nos serviços assistência técnica

Por: Minist

O evento virtual foi realizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (Mapa), a Rede Latino-Americana de Serviços de Extensão (Relaser), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). O secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) do Brasil, Fernando Schwanke, fez a mediação do encontro falou sobre a Ater no Brasil. Ele lembrou que o acesso aos serviços de Ater varia consideravelmente de acordo com a região: 48,9% no Sul, 24,5% no Sudeste, 16,4% no Centro-Oeste, 8,8% no Norte e 7,3% no Nordeste. “Isso mostra o desafio que temos de ampliar a base de atendimento aos agricultores em todo o território federal. Por isso, em 2020, lançamos o programa Ater Digital, com o principal objetivo de fazer a governança do que está acontecendo no Brasil no âmbito da Ater, organizando as informações, compartilhando os conhecimentos, promovendo a inovação e capacitando profissionais”, afirmou o secretário.
VEJA TAMBÉM:

Outra ação que ganhou destaque foi a parceria do Mapa com o IICA na implementação serviços de consultoria agrícola digital a agricultores familiares do Nordeste do Brasil. O Nordeste foi a região escolhida para a primeira fase do projeto, que deverá atender 100 mil pequenos produtores rurais, entre eles criadores de caprinos e ovinos, forte atividade econômica na região, e produtores de milho e de variedades locais de feijão. O agricultor familiar atendido pelo projeto receberá informações de extensão rural por meio de mensagens de celular, duas vezes por semana. Com linguagem simples, ele terá acesso a dados meteorológicos, técnicas de plantio, manejo das culturas, informações sanitárias e rendimento das colheitas. 


Plataforma digital 

A especialista da Unidade de Implementação do Processo de Reforma Institucional do Ministério da Agricultura e Pecuária do Equador, Lorena Torres, e o diretor de Desenvolvimento e Implementação de TI do órgão, Maurício Chasi, apresentaram a Hackatón Ecuador, uma plataforma desenvolvida para promover a comercialização de produtos da agricultura familiar.  “A iniciativa foi motivada pela aparição da Covid-19, que provocou graves problemas na comercialização local e internacional da agricultura, atingindo, principalmente, os pequenos produtores, que se viram obrigados a buscar novos mercados para vender os seus produtos”, explicou Lorena Torres. 

Rodadas de negócio 

O Oficial de Comércio e Sistemas Agroalimentares da FAO Mesoamérica, Pablo Rabczuk, falou sobre a utilização de espaços virtuais para a realização de rodadas de negócios e como essa ação pode criar oportunidades para os pequenos produtores.  “Antes da pandemia, essa já era uma alternativa inovadora. Agora, com a pandemia, esta é a alternativa para aproximar produtores e compradores e para gerar oportunidade comerciais também”, disse Rabczuk.  As rodadas de negócios são pontos de encontro e permitem que os empreendimentos rurais estabeleçam contatos comerciais com potenciais sócios estratégicos, clientes e fornecedores, por meio de reuniões virtuais, organizadas com participantes em qualquer lugar do mundo, usando um celular ou computador com internet. 

Em 2020, a partir de articulação entre a FAO, o IICA e a Secretaria de Integração Econômica da América Central (Sieca), aconteceram duas séries de rodadas de negócios virtuais para o setor agroalimentar, no âmbito das agendas e planos de recuperação econômica diante da pandemia.  “Ao todo, participaram 948 empreendimentos da agricultura familiar e empresas compradoras. Foram realizadas 1.549 reuniões. E o resultado foram intenções de negócios que somam praticamente 16 milhões de dólares. Essa iniciativa contou com participação de empresas de 23 países da América Latina, Caribe, Europa e Ásia”, destacou Pablo Rabczuk. 

E-commerce

O desenvolvimento de mercados digitais de comercialização de produtos agrícolas e a experiência e-commerce na China foram temas abordados pelo assessor sênior de Relações Públicas do Alibaba Group, Wei Liu.  Para oferecer soluções digitais rurais, o Grupo tem uma estrutura de serviços variados. “Temos um ótimo sistema de delivery, com mais de 3 milhões de motoqueiros registrados e distribuídos por toda a China. Também possuímos agências de turismos para as áreas rurais. No cenário educacional, nós temos a universidade da Alibaba e outros institutos e centros de treinamento, além de um grupo que oferece serviços financeiros para os produtores”, explicou o assessor. 

Wei Liu compartilhou o exemplo de produtores do condado de Luochuan, localizado no Norte da província de Shaanxi, na China, uma região produtora de maçãs. “Nos últimos anos, a produção caiu, pois eles não conseguiam vender seus produtos. Fizemos uma pesquisa com os consumidores e descobrimos que eles não achavam as maçãs saborosas. Realizamos uma pesquisa técnica e o problema não estava no tipo de maçã, mas na padronização. Implantamos um padrão para o plantio e, por meio das soluções digitais, conseguimos nos comunicar com os agricultores que estão economizando adubo, recursos hídricos e tendo um melhor resultado”. 

Comunicação Online 

O assessor técnico da Central do Cerrado para Comercialização, Gestão de Projetos e Acesso a Políticas Públicas, Alexandre Lage, apresentou a experiência da cooperativa em comercialização online. “O primeiro site foi criado em 2010, mas o comércio online na época era pouco efetivo, pelo menos no que diz respeito aos produtos da agricultura familiar. Ao longo dos anos, a cooperativa também enfrentou dificuldade na manutenção, na atualização de informações e, com o surgimento de novas plataformas, o nosso site ficou um pouco desatualizado”, lembrou Lage. 

A equipe da Central do Cerrado percebeu, então, a necessidade de realizar uma ampla reformulação na sua comunicação online. A reformulação do site da cooperativa foi iniciada em 2019. Em 2020, o processo foi acelerado devido à pandemia. “À medida que a loja virtual começou a funcionar, a gente se deparou com processos que precisavam ser feitos dentro da cooperativa. Assim como toda loja, precisa ter um fluxo de atendimento aos clientes e de montagem de pedidos, precisa desenhar toda uma operação logística”, explicou o assessor técnico. 

Como benefício para os agricultores familiares e seus empreendimentos, o site se tornou mais um canal de comercialização, que abrange todo o território nacional, e também um meio para difundir informações sobre os empreendimentos familiares e seus produtos. 

Comercialização 

A palestra “Experiência prática de comercialização – do saco amarrada ao código de barras” encerrou a programação do Fórum Brasil. O técnico da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/BA), Egnaldo Xavier, disse que existem aspectos visíveis e invisíveis da comercialização: a exposição dos produtos, embalagem, divulgação e forma de pagamento são pontos que sempre recebem atenção, enquanto o armazenamento, o planejamento, a gestão, o processamento, a logística e a negociação ficam invisíveis.  “Da porteira para dentro o assessoramento técnico é muito importante, mas o fortalecimento dessas organizações para acessar mercados, nas suas diferentes modalidades, também é importante. É aí que entra a questão do assessoramento técnico especializado”, ressaltou.  

A presidente da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), Denise Cardoso, falou sobre a rede de comercialização da cooperativa. Fundada em 2004, na Bahia, a partir da união de 44 agricultoras, que desejavam organizar a produção e comercialização, hoje, a cooperativa possui 271 cooperados e tem capacidade para produzir, anualmente, 800 toneladas de doces. O carro-chefe é o doce feito de umbu. 

Os produtos são comercializados em 17 cidades do Brasil e também exportados para Alemanha e França. “Temos parceria junto à Central da Caatinga para essa comercialização. A Coopercuc está em várias redes e espalhada pelo Brasil. Hoje, somos referência em torno dessa questão da representação a partir de frutas nativas da Caatinga. Isso é bastante importante para os nossos cooperados e para a nossa ação de cooperativismo aqui na Bahia”, afirmou Denise Cardoso.  O apoio na comercialização da base produtiva é um dos focos da Central de Comercialização das Cooperativas da Caatinga (Central da Caatinga). O diretor-presidente, Adilson do Santos, explicou que o trabalho envolve a identificação de oportunidades de negócios e clientes para os filiados, apoio na logística de distribuição e outros aspectos.  “Também apoiamos a operação direta de comercialização dos produtos em redes de supermercados, lojas físicas e mercados institucionais. São estratégias que utilizamos para realizar a comercialização dos produtos”, destacou o presidente da Central. 

Evento 

O Fórum Brasil, realizado nos dias 20 e 22 de abril, integra a programação do “Ciclo de seminários sobre o uso de tecnologias digitais para a prestação de serviços de Ater e comercialização de produtos da agricultura familiar: Experiências na América Latina e no Caribe”. O evento, composto por quatro fóruns - organizados por áreas geográficas -, é resultado de parceria entre IICA, Mapa, FAO, Relaser e CEPAL. 

>> Clique no link abaixo para assistir - 1º dia do Fórum Brasil 

TAGS:
Tecnologia no agro


Texto publicado originalmente em Notícias
Mais vídeos:
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo
Icone do vídeo