Soja busca estabilidade após forte pressão nos preços
Mercado tenta se firmar na CBOT enquanto safra sul-americana avança e prêmios seguem pressionados no Brasil
Após uma nova sessão de queda, com recuo entre 4 e 5 pontos, os preços da soja na Bolsa de Chicago tentam se estabilizar, de acordo com a Granoeste Corretora. Nesta segunda-feira, o contrato janeiro é negociado próximo de US$ 10,72 por bushel, com leve recuperação.
Este mês tem sido especialmente negativo para as cotações. Apenas na primeira quinzena, as perdas se aproximam de 7%. Esse movimento reflete, sobretudo, a boa evolução da safra sul-americana e o ritmo lento das compras chinesas de soja dos Estados Unidos, fatores que mantêm o mercado pressionado.
Além disso, dados recentes indicam desempenho abaixo do esperado no esmagamento norte-americano. Em novembro, a indústria processou 5,88 milhões de toneladas, volume inferior ao registrado em outubro. Os estoques de óleo, por sua vez, vieram acima das projeções, o que reforçou o viés cauteloso dos agentes.
Caso a safra brasileira e argentina siga dentro da normalidade, a expectativa é que a China concentre suas compras na América do Sul a partir de janeiro. Nesse cenário, os prêmios tendem a se tornar mais competitivos frente ao produto norte-americano, segundo análise de mercado divulgada pela Granoeste.
Safra brasileira e mercado interno
No Brasil, levantamento da Conab mostra que o plantio da safra de soja alcançou 94,1%. O índice ainda fica abaixo dos 96,8% registrados no mesmo período de 2024, mas supera a média histórica de 90,6%.
Enquanto isso, o mercado doméstico permanece lento. A boa disponibilidade de produto, somada ao avanço das lavouras, contribui para preços mais estáveis. Assim, o cenário atual indica menor volatilidade, sem os movimentos típicos do período de entressafra.
Com a virada de estação, os preços costumam sofrer nova pressão. Os prêmios da soja nova já operam em níveis mais baixos, e o diferencial entre o produto disponível e o da próxima safra chega a até R$ 10,00 por saca. Por isso, produtores avaliam com cautela a estratégia de carregamento de estoques.
Além disso, a necessidade de desocupação dos armazéns tende a ampliar a oferta nas próximas semanas, o que pode limitar reações mais consistentes nos preços.
Nos portos brasileiros, os prêmios no mercado spot variam entre 110 e 125 pontos. Para janeiro, os valores ficam entre 35 e 70 pontos, enquanto março e abril operam na faixa de 10 a 25 pontos. No oeste do Paraná, as indicações de compra estão entre R$ 131,00 e R$ 132,00 por saca. Em Paranaguá, os preços variam de R$ 142,00 a R$ 143,00, conforme prazo e condições de pagamento.

Camilo Motter
Possui graduação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(1981), graduação em Economia pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Cascavel(1985), especialização em Teoria Econômica pela Universidade Federal do Paraná(1989) e mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina(2001). Tem experiência na área de Economia. Atuando principalmente nos seguintes temas:Maximização da Renda, Informação, Comercialização. É diretor da Corretora Granoeste, de Cascavel/PR.