Soja volta a subir em Chicago com atenção ao clima sul-americano
Preços ganham sustentação com clima irregular na América do Sul e menor tensão no cenário internacional
Os contratos futuros da soja voltaram a operar em alta na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta quinta-feira, encontrando novos fatores de sustentação após os ajustes positivos registrados na sessão anterior. O movimento reflete, principalmente, a combinação entre expectativas no cenário internacional e preocupações climáticas na América do Sul.
Segundo análise da Granoeste, o mercado passou a reagir novamente a sinais de uma possível reaproximação entre Estados Unidos e China. Caso o diálogo avance, o cenário pode favorecer o aumento do fluxo comercial entre os dois países, o que tende a dar suporte às cotações da oleaginosa.
Além disso, o ambiente externo contribui para o viés positivo. A redução das tensões geopolíticas, após declarações mais moderadas do presidente norte-americano Donald Trump sobre disputas comerciais e questões estratégicas, ajudou a melhorar o humor dos investidores nos mercados internacionais.
Clima no Brasil influencia o mercado
Na América do Sul, as condições climáticas seguem no centro da formação dos preços. No Brasil, o excesso de chuvas na porção Centro-Norte do cinturão de cultivo pode atrasar o ritmo da colheita e, em alguns casos, comprometer a qualidade dos grãos. Em contrapartida, no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, a falta de umidade no solo preocupa, já que grande parte das lavouras está em fase de desenvolvimento.
Como desdobramento desse cenário, a estiagem também tende a afetar áreas produtivas da Argentina. Diante disso, a consultoria Safras revisou para baixo a estimativa de produção de soja do país vizinho em cerca de 0,8 milhão de toneladas, para 50,3 milhões de toneladas, reforçando o suporte aos preços internacionais.
Enquanto isso, no mercado interno brasileiro, as negociações seguem mais lentas. Os preços permanecem pressionados, movimento típico deste período do ano, marcado pela entrada de uma safra cheia. Mesmo com a recente recuperação em Chicago, variáveis como câmbio e prêmios ainda apresentam menor força em relação às semanas anteriores.
Nos portos brasileiros, os prêmios no mercado spot variam entre 60 e 80 pontos. Para março, os valores ficam entre 20 e 35 pontos, enquanto para abril os indicativos oscilam entre 15 e 30 pontos. Já no mercado físico, as indicações de compra no oeste do Paraná giram entre R$ 118,00 e R$ 120,00, enquanto em Paranaguá os preços variam de R$ 128,00 a R$ 130,00, conforme prazos e condições de pagamento.

Camilo Motter
Possui graduação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(1981), graduação em Economia pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Cascavel(1985), especialização em Teoria Econômica pela Universidade Federal do Paraná(1989) e mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina(2001). Tem experiência na área de Economia. Atuando principalmente nos seguintes temas:Maximização da Renda, Informação, Comercialização. É diretor da Corretora Granoeste, de Cascavel/PR.