Exportação de frango atinge maior volume da história
Brasil exporta 1,45 milhão de toneladas no trimestre, mas preços internos só reagem no início de abril.
As exportações brasileiras de carne de frango somaram 1,45 milhão de toneladas no primeiro trimestre de 2026, recorde para o período e alta de 0,7% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. O resultado surpreende o mercado, já que o início do ano costuma registrar menor demanda internacional.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que o desempenho ocorreu mesmo em um cenário externo marcado por incertezas, incluindo tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Desempenho acima do esperado
Tradicionalmente, as exportações de carne de frango ganham mais força no segundo semestre. Ainda assim, o setor conseguiu ampliar os embarques já nos primeiros meses do ano, contrariando o padrão histórico.
Em março, o mercado chegou a demonstrar preocupação com possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o fluxo das exportações brasileiras. No entanto, os volumes se mantiveram elevados.
Apesar do bom desempenho no mercado externo, os preços da carne de frango no mercado interno recuaram ao longo de março. A oferta disponível e o ritmo de consumo doméstico limitaram a sustentação das cotações.
Reação em abril
No início de abril, o cenário começou a mudar, com recuperação dos preços de negociação. Segundo o Cepea, esse movimento está ligado ao aumento dos custos logísticos, especialmente com fretes mais caros devido à alta dos combustíveis, além do aquecimento típico da demanda no começo do mês.
Com isso, os preços voltaram a patamares próximos aos observados em fevereiro, indicando uma retomada do mercado.
Reflexos para a cadeia produtiva
O recorde nas exportações reforça a competitividade da carne de frango brasileira no mercado internacional e garante fluxo de escoamento da produção.
Por outro lado, o comportamento dos preços internos mostra que a dinâmica do mercado doméstico continua sendo decisiva para a rentabilidade do produtor, exigindo atenção tanto à demanda interna quanto aos custos de produção.