Exportações do agro crescem 7,4% e atingem recorde de US$ 12,05 bi em fevereiro
Avanço foi puxado pelo aumento de 9% no volume embarcado, mesmo com recuo nos preços internacionais
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, o maior valor já registrado para o mês na série histórica. O resultado representa alta de 7,4% em relação a fevereiro do ano passado e foi puxado principalmente pelo aumento de 9% no volume embarcado, mesmo com recuo de 1,5% nos preços médios internacionais. No período, o setor também garantiu superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial.
Os números confirmam que o agro segue como principal motor do comércio exterior brasileiro. Em fevereiro, o setor respondeu por 45,8% de todas as exportações do país, enquanto as importações de produtos agropecuários ficaram em US$ 1,5 bilhão, com queda de 9,1% na comparação anual.
Na prática, o resultado mostra que o campo brasileiro continua encontrando espaço no mercado externo mesmo em um cenário de preços internacionais mais pressionados. Para o produtor rural, isso é um sinal importante, porque em um momento de maior oferta, especialmente com perspectiva de safra robusta, o ritmo das exportações ajuda a aliviar a pressão sobre o mercado interno e contribui para o escoamento da produção.
No Paraná, esse movimento tem peso ainda maior. O Estado é um dos principais polos de produção e exportação do país em cadeias como soja, milho, carnes e produtos florestais, o que faz com que a demanda internacional e a capacidade logística continuem sendo fatores decisivos para a renda do produtor e para a competitividade das cooperativas e agroindústrias paranaenses.
Soja e proteínas puxam o resultado
O complexo soja liderou a pauta exportadora do agro em fevereiro, com US$ 3,78 bilhões, o equivalente a 31,4% de tudo o que o setor embarcou no mês. Na comparação com fevereiro de 2025, houve crescimento de 16,4%, reforçando o peso da oleaginosa no desempenho geral das exportações.
Na sequência, o destaque ficou com as proteínas animais, que movimentaram US$ 2,7 bilhões, com participação de 22,5% e avanço também de 22,5% sobre o mesmo período do ano passado. Os produtos florestais somaram US$ 1,27 bilhão, representando 10,5% da pauta, embora tenham registrado leve recuo de 1%.
O café respondeu por US$ 1,12 bilhão, ou 9,3% do total exportado, com pequena queda de 0,2%, enquanto o complexo sucroalcooleiro fechou fevereiro com US$ 861,35 milhões, participação de 7,1% e retração de 4,2%.
O desempenho reforça que, apesar da pressão nos preços internacionais, o agro brasileiro continua sustentado pelo aumento da oferta e pela capacidade de embarcar mais volume. Para o produtor, esse cenário exige atenção redobrada ao mercado, já que a formação de preços depende cada vez mais da combinação entre produtividade, logística e acesso a compradores externos.
China lidera, mas novos mercados ganham força
A China manteve a liderança entre os destinos das exportações do agro brasileiro em fevereiro, com compras de US$ 3,6 bilhões, o que representa 30,5% do total embarcado pelo setor. Em seguida aparecem a União Europeia, com US$ 1,8 bilhão e participação de 15,2%, e os Estados Unidos, com US$ 802,9 milhões, equivalentes a 7% do total.
Mas um dos sinais mais importantes do mês veio da ampliação das vendas para outros mercados asiáticos. O Vietnã importou mais de US$ 372,6 milhões em produtos do agro brasileiro, alta de 22,9% na comparação anual. Já a Índia chamou atenção com compras de US$ 357,3 milhões, crescimento expressivo de 171,1% sobre fevereiro de 2025. Com isso, os dois países ocuparam a quarta e a quinta posições entre os principais destinos das exportações do agro brasileiro no mês.
Outros mercados também ampliaram as compras, como Turquia, Egito, México, Tailândia, Reino Unido, Filipinas, Rússia, Taiwan, Omã e Gâmbia, reforçando um movimento de maior pulverização das vendas externas.
Para o agro brasileiro, especialmente para estados exportadores como o Paraná, essa diversificação é estratégica. Quanto maior o número de compradores, menor a dependência de poucos mercados e maior a capacidade de reação do setor em momentos de oscilação cambial, restrições comerciais ou desaceleração de demanda em parceiros tradicionais.
Produtos fora da pauta tradicional reforçam diversificação
Além dos segmentos que tradicionalmente concentram a maior parte das exportações, fevereiro também trouxe sinais importantes de diversificação na pauta do agro brasileiro. Produtos com menor participação no total embarcado registraram avanço expressivo e reforçaram o potencial de agregação de valor em diferentes cadeias.
O óleo essencial de laranja, por exemplo, bateu recorde tanto em valor quanto em volume, somando US$ 47,8 milhões em exportações, alta de 28,8%, com embarques de 4,1 mil toneladas, crescimento de 51%. O DDG de milho, coproduto bastante ligado à cadeia de processamento, também chamou atenção ao atingir US$ 36,2 milhões, avanço de 164,2%, além de 156,4 mil toneladas embarcadas, volume 146,1% superior ao de um ano antes.
Também houve recordes em farinhas de carne, extratos e miudezas, que movimentaram US$ 20,1 milhões, com alta de 10,5%, além de crescimento expressivo no volume exportado. Já produtos como manteiga, gordura e óleo de cacau e óleo de milho também avançaram no período, mostrando que o crescimento do agro não está restrito apenas aos grandes complexos exportadores.
Esse movimento interessa diretamente ao produtor e à agroindústria porque mostra que há espaço crescente para produtos processados, coprodutos e itens de maior valor agregado. No caso do Paraná, onde o cooperativismo e a agroindustrialização têm forte presença, esse é um sinal relevante para cadeias que buscam ampliar margens e reduzir dependência de commodities in natura.
Abertura de mercados ajuda a sustentar o avanço
O desempenho de fevereiro também reflete a ampliação do acesso do agro brasileiro a novos destinos comerciais. Segundo o Ministério da Agricultura, foram nove novas aberturas de mercado apenas em fevereiro e 544 desde o início de 2023.
Em um cenário de produção elevada, esse fator se torna decisivo. Com maior volume disponível no campo, vender para fora passa a ser essencial para evitar excesso de oferta no mercado doméstico e uma pressão ainda maior sobre os preços recebidos pelo produtor.
Para quem está no campo, a leitura é clara: o mercado externo segue sendo uma válvula importante para absorver a produção brasileira. Em 2026, com perspectiva de safra forte e expansão em diferentes cadeias, a combinação entre produção, logística e abertura de mercados deve continuar no centro das atenções do agronegócio.