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Projeto AgroBR chega a 1 mil inscritos e acelera exportações no campo

Foto do autor Francieli Galo
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Projeto AgroBR chega a 1 mil inscritos e acelera exportações no campo
Com o objetivo de alcançar o mercado internacional, eles iniciaram um processo de automatização e organização da fábrica Bona Fruit. Foto: CNA / Divulgação

Iniciativa da CNA com ApexBrasil e Sebrae completa cinco anos e meio, reúne casos de sucesso e mira 3 mil empreendedores rurais até 2028

O projeto AgroBR, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a ApexBrasil e o Sebrae, alcançou a marca de 1 mil produtores rurais inscritos na terceira fase da iniciativa, reforçando o avanço da inserção de pequenos e médios empreendedores do campo no mercado internacional. A nova etapa começou no ano passado e tem como meta chegar a 3 mil empreendedores rurais até 2028, ampliando a presença dos produtos brasileiros no exterior.

O resultado reforça o crescimento da iniciativa, que ao longo de cinco anos e meio vem se consolidando como uma das principais portas de entrada para produtores que desejam exportar, mas ainda enfrentam barreiras como falta de experiência, dificuldades com exigências do comércio exterior e ausência de conexão com compradores internacionais.

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Projeto aposta em capacitação e acesso a mercados

Na jornada dentro do AgroBR, os participantes têm acesso gratuito a capacitações, rodadas de negócios, missões empresariais em feiras internacionais e suporte estratégico.

O foco do programa é transformar oportunidades em resultados concretos, ajudando produtores e agroindústrias de pequeno e médio porte a estruturarem seus negócios para atender o mercado externo com mais competitividade.

A proposta vai além da qualificação técnica. O projeto também atua na preparação comercial, no fortalecimento institucional das marcas e na aproximação com compradores de diferentes países, criando condições para que os empreendedores avancem de forma mais segura no processo de exportação.

Números mostram avanço nas fases anteriores

De acordo com a Diretoria de Relações Internacionais da CNA, a primeira fase do projeto atendeu 450 produtores rurais.

Na segunda fase, encerrada em agosto de 2025, 428 dos 1,2 mil selecionados realizaram exportações, resultado que reforça o potencial da iniciativa para transformar capacitação em negócios efetivos no mercado global.

A marca de 1 mil inscritos em pouco mais de seis meses da terceira edição mostra que a demanda por programas de internacionalização segue forte, especialmente entre produtores que buscam diversificar mercados, agregar valor à produção e reduzir a dependência exclusiva do mercado interno.

CNA destaca força das parcerias para expansão do programa

Para o coordenador de Promoção Comercial da CNA e gestor do projeto, Rodrigo da Matta, o avanço da terceira fase representa o interesse crescente de empreendedores rurais em levar produtos brasileiros para novos mercados.

Segundo ele, o resultado também reflete a articulação institucional construída em torno da iniciativa.

“Chegar à marca de 1.000 inscritos em pouco mais de seis meses desta terceira edição é uma conquista que simboliza o interesse e a dedicação dos empreendedores que desejam levar ao mundo o sabor e a brasilidade dos nossos alimentos”, afirmou.

Na avaliação do coordenador, o desempenho do AgroBR está diretamente ligado à parceria com ApexBrasil e Sebrae, que tem permitido ampliar oportunidades comerciais e fortalecer a presença internacional dos produtos brasileiros com foco em qualidade, diversidade e identidade nacional.

Caso do açaí mostra como o AgroBR transforma intenção em exportação

Entre os principais exemplos de sucesso do projeto está a história da pedagoga amazonense Letícia Castro Barreto, de 25 anos, que entrou no agronegócio ao lado do marido, Mário Fernando.

O casal adquiriu uma propriedade em Belém, no Pará, com cerca de 20 mil pés de açaí e uma pequena fábrica de polpas voltada inicialmente ao mercado local e às regiões Sul e Sudeste do país. Com o objetivo de alcançar o mercado internacional, eles iniciaram um processo de automatização e organização da fábrica Bona Fruit.

Apesar do interesse em exportar, a falta de experiência com comércio exterior era um entrave. Durante mais de um ano, o casal investiu em consultorias privadas, mas os processos só começaram a ganhar ritmo depois que conheceram o AgroBR, em 2023, por meio da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa).

Foram quatro meses de capacitação sobre mercado internacional e boas práticas na produção de açaí e derivados. Além das aulas, o programa abriu espaço para participação em rodadas de negócios, elaboração de materiais institucionais em inglês e espanhol, divulgação da empresa no site do projeto e prospecção de clientes estrangeiros.

Primeira exportação abriu portas para Austrália, Japão e outros mercados

Em junho de 2024, a Bona Fruit realizou sua primeira exportação, embarcando 20 toneladas de sorbet de açaí para a Austrália.

O resultado foi tão positivo que o cliente passou a fazer compras mensais. No fim de 2024, o casal participou do Exporta Mais Belém e iniciou vendas para o Japão, além de abrir negociações com clientes da China e de Dubai.

Já em abril de 2025, durante o Exporta Mais Brasil, em São Paulo, a empresa conheceu potenciais compradores dos Estados Unidos e de Israel.

Atualmente, a Bona Fruit produz mensalmente 280 toneladas de polpa de açaí e 180 toneladas de sorbet, considerando produtos tradicionais e orgânicos. Cerca de 30% da produção já é destinada ao mercado externo, mostrando como a internacionalização passou a ter peso relevante no negócio.

Produtor de limão também ampliou vendas após entrar no projeto

Outro caso que reforça os resultados do AgroBR é o do empresário Rogério da Silva Rafael, de 67 anos, proprietário da Natural Citrus, empresa especializada na produção de limões no Rio Grande do Norte.

O produtor conheceu o projeto por meio da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern). Dentro do programa, teve acesso a orientações sobre gestão da exportação, participação em feiras internacionais, documentação necessária e adaptação de materiais para outros idiomas, como japonês e árabe, além do contato com compradores estrangeiros.

A experiência ajudou a acelerar o acesso ao mercado externo e a estruturar a empresa para atender novas demandas internacionais.

Venda para a Espanha impulsionou novos negócios na Europa

Em abril de 2024, Rogério participou da feira internacional Fruit Attraction São Paulo, onde fechou uma venda para um cliente da Espanha.

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