Brasil e China avançam em plataforma para cadeias verdes
Iniciativa busca fortalecer o comércio de alimentos sustentáveis e ampliar a rastreabilidade nas cadeias de soja e carne bovina
Iniciativa entre Brasil e China busca fortalecer cadeias sustentáveis de soja e carne bovina. Foto:
O Brasil e a China avançam na construção da plataforma Brasil–China Green Food Value Chain, iniciativa voltada ao fortalecimento do comércio de alimentos sustentáveis entre os dois países. A proposta busca integrar informações, protocolos e boas práticas para ampliar a rastreabilidade e alinhar a produção às exigências ambientais do mercado internacional.
Na terça-feira (04/03), o Sistema OCB recebeu uma delegação internacional envolvida no projeto. O encontro marcou o início de uma agenda presencial no Brasil voltada ao entendimento do papel das cooperativas na construção de cadeias produtivas mais resilientes, transparentes e sustentáveis.
A plataforma é co-liderada pela Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com financiamento da Agência Norueguesa para a Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD). A iniciativa surgiu há cerca de dois anos, diante da percepção de que, apesar da forte relação comercial entre Brasil e China, ainda existe fragmentação de dados, certificações e protocolos ligados às exigências socioambientais na produção de soja e carne bovina.
A proposta é estruturar cadeias de valor mais sustentáveis e inclusivas, combinando pesquisa aplicada, intercâmbio técnico e diálogo com formuladores de políticas públicas. Segundo Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, o projeto ganha importância diante da crescente demanda chinesa por produtos com certificação e comprovação de origem sustentável.
Atualmente, diferentes iniciativas públicas e privadas coexistem no Brasil, incluindo programas governamentais, certificações e protocolos setoriais. A plataforma pretende reunir essas informações em um hub de conhecimento, que organize dados, políticas públicas e boas práticas adotadas por cooperativas e empresas em diferentes regiões do país.
Cooperativismo como elo estratégico
Durante a reunião, os pesquisadores demonstraram interesse em compreender como as cooperativas estruturam a relação com os produtores rurais e disseminam tecnologia, assistência técnica e protocolos ambientais no campo.
Nesse contexto, o cooperativismo foi apontado como um elo estratégico para conectar as exigências do mercado internacional às práticas produtivas adotadas pelos agricultores.
A delegação internacional reúne pesquisadores ligados ao Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFBR), à Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e à organização The Nature Conservancy (TNC).
A agenda no Brasil também inclui visitas técnicas em Sinop (MT), onde os participantes poderão conhecer de perto cadeias produtivas de soja e pecuária de corte, além dos mecanismos de monitoramento socioambiental utilizados no país.
Dentro do escopo técnico da plataforma, estão previstas análises de cenários até 2050, estudos climáticos voltados à produção de soja e carne bovina, avaliações sobre possíveis barreiras ambientais e iniciativas de harmonização de padrões de sustentabilidade.
Também fazem parte da agenda temas como mitigação do desmatamento, fortalecimento de sistemas de rastreabilidade e desenvolvimento de instrumentos de finanças verdes para apoiar cadeias produtivas mais sustentáveis.
No Brasil, além do Sistema OCB e da FGV, participam do projeto instituições como a Embrapa, a Esalq/USP, o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Embaixada do Brasil na China. Do lado chinês, integram a rede organizações como a Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica (CAITEC), a Academia Chinesa de Silvicultura (CAF) e universidades como Zhejiang, Pequim e Tsinghua.
