Carrapato avança no verão e pode reduzir em até 20% o desempenho do rebanho
Especialistas alertam para controle estratégico e uso de tecnologias para reduzir perdas no campo
Fazenda Cabanha Tolios Farm - Formigueiro, RS. Foto: Robel Tolio
A chegada do calor traz um velho conhecido do pecuarista: o carrapato. Na propriedade do médico veterinário e produtor rural Robel Tolio, o problema se repete todos os anos. De acordo com ele, a incidência do parasita se concentra entre setembro e maio. “Nesse período trabalhamos com controle estratégico, como roçada e calendário sanitário em parceria com empresas, para atingir as ondas do carrapato. Nos outros meses praticamente não há incidência”, explica.
Quando não controlado a tempo, o carrapato compromete o ganho de peso e pode abrir portas para doenças. “Eles sugam sangue, deixam o metabolismo mais lento e reduzem o desempenho dos animais”, afirma Tolio.
O cenário vai além de uma única propriedade. Estimativas frequentemente citadas em estudos da Embrapa e do Ministério da Agricultura apontam que as perdas econômicas associadas às parasitoses em bovinos variam entre R$ 18 bilhões e R$ 66 bilhões por ano no Brasil. Em alguns sistemas produtivos, a queda de desempenho pode chegar a 20%.
De acordo com o médico veterinário Fernando Dambrós, o verão cria o ambiente ideal para o avanço do parasita. “O carrapato tem o ciclo favorecido por temperatura elevada e umidade. No período de chuvas, as larvas se multiplicam com facilidade no pasto. O calor acelera o ciclo biológico e aumenta a pressão de infestação na propriedade”, explica.
Controle precisa ser estratégico
Dambrós reforça que o erro mais comum é agir apenas quando a infestação já está instalada. “O controle precisa ser estratégico, não emergencial. O primeiro semestre é decisivo, porque permite reduzir a carga da segunda e terceira gerações de carrapatos. Manter boa nutrição para fortalecer a imunidade do rebanho, calendário sanitário com orientação técnica, monitoramento frequente do nível de infestação e uso racional e correto dos antiparasitários são algumas ações essenciais para os produtores”, Concluiu.
Saúde do rebanho em risco
Parasitas internos e externos impactam diretamente a produtividade. As verminoses gastrointestinais atuam de forma silenciosa, reduzindo eficiência alimentar e imunidade. Já os ectoparasitas — como carrapatos, mosca-dos-chifres, bernes e miíases — provocam estresse, lesões, anemia e transmitem doenças. Entre eles, o carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) é considerado um dos principais desafios da pecuária nacional, afetando reprodução e ganho de peso.
As moscas-dos-chifres também preocupam. Elas podem reduzir o desempenho em até 15%, diminuindo o tempo de pastejo e elevando o gasto energético dos animais.“O manejo integrado, com uso de produtos pour on, pulverização e brinco mosquicida, reduz a presença das moscas e melhora o conforto do gado”, explica Dambrós.
Tecnologia como aliada
Hoje o produtor conta com soluções mais avançadas, desenvolvidas com base científica, que atuam tanto contra carrapatos adultos quanto contra estágios imaturos do parasita. De acordo com Dambrós, produtos com ação prolongada facilitam o manejo, reduzem a necessidade de múltiplas aplicações e aumentam a eficiência do controle. “A tecnologia permite um controle mais eficiente, seguro e sustentável”, conclui.
