Safra de soja 2025/26 deve bater recorde no Brasil, mas queda no preço preocupa produtores
Produção cresce com clima favorável, enquanto custos mais altos e saca mais barata reduzem a margem no campo.
Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN
O novo boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta mais um recorde para a soja brasileira na safra 2025/2026. A estimativa é de 178 milhões de toneladas, volume 6,5 milhões de toneladas superior ao ciclo anterior. No Paraná, a projeção é de 22 milhões de toneladas. O número fica levemente abaixo do recorde registrado na safra 2022/23, mas ainda coloca o estado entre as maiores produções da história.De acordo com Edivan Possamai, assessor técnico do programa Grãos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar-Emater (IDR-Paraná), o bom desempenho está diretamente ligado ao clima. “Depois das chuvas excessivas em setembro e outubro, tivemos um período com melhor distribuição, o que favoreceu a produtividade. Já nas áreas mais tardias, houve falta de chuva entre janeiro e fevereiro, o que reduziu um pouco o potencial em relação às 22,3 milhões de toneladas colhidas em 2022/23”, explica.Até o dia 21, segundo boletim semanal da Conab, o Brasil já havia colhido 32,3% da área plantada com soja. Entre os principais estados produtores, Mato Grosso lidera o ritmo, com 71,2% da área colhida. Também já avançaram na colheita Tocantins (45%), Maranhão (5%), Piauí (5%), Bahia (18%), Mato Grosso do Sul (18%), Goiás (22%), Minas Gerais (27%), São Paulo (5%), Paraná (30%) e Santa Catarina (4%). O Rio Grande do Sul ainda não iniciou a colheita.Preço preocupa produtores - Se por um lado a produção anima, por outro o mercado gera apreensão. Segundo Edivan, o preço médio previsto para a saca nesta safra gira em torno de R$ 115, podendo variar conforme a região. Bem distante dos cerca de R$ 190 registrados na safra 2022/23. “Esse cenário preocupa. O preço caiu, mas o custo de produção subiu, principalmente com sementes, fertilizantes e diesel. A margem líquida diminuiu bastante, e quem trabalha com áreas arrendadas sente ainda mais”, avalia Possamai.Segundo ele, o momento exige cautela e planejamento. Revisão de investimentos, foco na estruturação do solo e uso estratégico dos insumos são medidas fundamentais. “O produtor que investe em manejo de solo para preservar água tem conseguido manter a produtividade. Além disso, usar o insumo certo, na hora certa, ajuda a manter o custo da lavoura dentro de um patamar aceitável”, orienta.Outros grãos - Para o milho, a previsão é de 138,4 milhões de toneladas, volume 1,9% menor que o do ciclo anterior.No arroz, com a semeadura praticamente concluída, a área deve alcançar 1,6 milhão de hectares, retração de 11,6% em relação à safra passada.Já o feijão deve manter produção próxima a 3 milhões de toneladas, considerando as três safras da cultura ao longo do ano.
