Biodiesel pode ampliar demanda por soja no MS
Demanda por soja pode crescer até 72% no MS com avanço do biodiesel, impulsionando indústria e investimentos no estado.
A ampliação do uso de biodiesel no Brasil pode elevar em até 72% a demanda por soja destinada ao biocombustível, com impactos diretos sobre a produção e a industrialização em Mato Grosso do Sul. O dado consta em estudo da Aprosoja/MS, que projeta crescimento expressivo até 2035.
Atualmente, cerca de 70% do biodiesel produzido no país tem como base o óleo de soja, segundo a Abiove, o que reforça a conexão entre o setor agrícola e a matriz energética. Desde 2008, a mistura obrigatória ao diesel avançou de 2% para 14% em 2024, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
De acordo com o levantamento, a demanda nacional por soja para biodiesel pode subir de 43,2 milhões para 74 milhões de toneladas até 2035. Em Mato Grosso do Sul, o volume destinado ao setor deve avançar de 3,45 milhões para 5,92 milhões de toneladas no mesmo período, o equivalente a praticamente uma nova safra regional voltada exclusivamente ao segmento energético.
Segundo o analista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, o movimento representa uma oportunidade relevante para fortalecer a cadeia agroindustrial. O aumento da demanda tende a estimular investimentos em capacidade de esmagamento, infraestrutura logística e armazenagem, além de ampliar alternativas de comercialização para os produtores.
Para atender esse crescimento, o setor projeta investimentos de cerca de R$ 52,5 bilhões em novas usinas e unidades de processamento, de acordo com a Abiove. Mato Grosso do Sul, que já responde por aproximadamente 8% da produção nacional de biodiesel, deve captar parte desses aportes.
A expansão também deve acelerar o processamento da soja dentro do próprio estado. A capacidade instalada pode passar de 15,5 mil para 18 mil toneladas por dia, o que representa aumento de cerca de 16%. Com isso, parte do grão que hoje é exportado tende a ser transformado internamente em óleo para biodiesel e farelo para ração animal.
Esse movimento amplia a oferta de farelo, insumo essencial para cadeias como avicultura e suinocultura, gerando efeito multiplicador sobre o agronegócio regional. Além disso, a área cultivada pode crescer de 1,08 milhão para 1,84 milhão de hectares até 2035, conforme projeções da Aprosoja/MS.
A possível elevação da mistura obrigatória para 17% já em 2026 reforça esse cenário. Nesse contexto, a demanda nacional por biodiesel pode alcançar 14,6 bilhões de litros por ano, exigindo cerca de 52,4 milhões de toneladas de soja. No Mato Grosso do Sul, o consumo poderia chegar a aproximadamente 4,19 milhões de toneladas.
Com a mudança no perfil da demanda, a logística também tende a se transformar. A redução no envio de grão bruto para exportação contrasta com o aumento do transporte de derivados, exigindo ajustes na infraestrutura.
A expansão do biodiesel reposiciona a soja como insumo estratégico na matriz energética brasileira e abre espaço para um modelo mais industrializado no Mato Grosso do Sul, com maior geração de valor dentro do próprio estado.