Exportações do agro gaúcho sobem 9,1% mesmo com volume estável
Alta foi puxada por proteínas, milho e trigo, enquanto soja e celulose limitaram avanço
As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul somaram US$ 1,10 bilhão em março de 2026, alta de 9,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, mesmo com o volume praticamente estável, que avançou apenas 0,2%. Os dados foram divulgados pela Farsul.
O desempenho reflete uma recomposição do mix exportador, com maior participação de produtos de maior valor agregado e melhora nos preços médios. No total, o estado exportou US$ 1,67 bilhão no período, sendo que o agronegócio respondeu por 66,2% desse montante e por 89,3% do volume embarcado.
Proteínas, milho e trigo puxam crescimento
A alta no valor exportado foi impulsionada principalmente pelas vendas de fumo, carnes, milho e trigo. No setor de proteínas, a carne bovina registrou aumento de 41,6% em valor e 7,7% em volume, favorecida pelo retorno das exportações para a China.
A carne de frango in natura teve alta de 21,9% no valor e 12% no volume, com recuperação da demanda na Ásia e Europa. Já a carne suína avançou 74,7% em valor e 70% em volume, com destaque para as Filipinas como principal destino.
O trigo também apresentou forte desempenho, com crescimento superior a 40% tanto em valor quanto em volume, mesmo em um cenário internacional competitivo. O arroz teve aumento expressivo de volume, superior a 70%, embora com avanço mais moderado nos preços.
Soja e produtos florestais limitam avanço
Por outro lado, a soja teve desempenho negativo, com quedas superiores a 50% tanto no valor quanto no volume exportado, principalmente no grão e no farelo.
Os produtos florestais também recuaram de forma significativa, com queda de 28,1% no valor e 55,4% no volume, impactados pela redução das vendas de celulose para mercados como Estados Unidos, China e Itália.
Mudança nos mercados e destinos
A pauta exportadora do estado mostra maior diversificação geográfica. Em março, a Ásia (exceto Oriente Médio) liderou como principal destino, seguida pela África e Europa.
Entre os países, o Egito assumiu a liderança, com 14,5% do valor exportado, seguido por China, Filipinas, Bélgica e Estados Unidos. A participação chinesa caiu de 20,2% para 11,8% no acumulado do ano, indicando mudança no perfil dos compradores.
Acumulado do ano aponta queda
Apesar do bom desempenho em março, o acumulado de 2026 ainda registra retração. Entre janeiro e março, as exportações do agro gaúcho somaram US$ 3,06 bilhões, queda de 6,5% frente ao mesmo período de 2025.
Em volume, o recuo foi de 9,3%, refletindo um cenário de preços mais baixos e menor embarque de alguns produtos estratégicos.
Impacto para o produtor
Na prática, o produtor gaúcho vê um cenário de recuperação de receita puxado por produtos com maior valor agregado, mas ainda com desafios importantes.
A queda da soja, principal commodity do estado, e a redução da participação da China indicam mudanças estruturais no mercado, exigindo adaptação e diversificação das estratégias de produção e comercialização.