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Agro goiano resiste à crise do crédito e mantém produção

Setor cresce acima da média nacional, mas enfrenta pressão sobre margens e queda de produtividade na safra 2025/2026

Agro goiano resiste à crise do crédito e mantém produção

Coletiva do Sistema Faeg, Senar e Ifag apresentou balanço de 2025 e perspectivas do agronegócio goiano para o próximo ciclo. Foto: Faeg / Divulgação

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Foto do autor Redação RuralNews
20/12/2025 |

Mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados, restrição ao crédito e avanço do endividamento rural, o agronegócio goiano manteve crescimento, empregos e produção em 2025. O panorama foi apresentado pelo Sistema Faeg, Senar e Ifag durante coletiva realizada nesta terça-feira (17), que reuniu a imprensa para divulgar o balanço do setor e as perspectivas para 2026.

Com o tema Resiliência e Insegurança no Agro Goiano, o encontro apresentou análises técnicas, dados econômicos e avaliações sobre os principais desafios enfrentados pelos produtores rurais. Além disso, o evento trouxe estimativas para o próximo ciclo agrícola, que indicam maior pressão sobre margens e rentabilidade.

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Cenário econômico e desempenho de Goiás

No cenário internacional, a economia global cresceu 2,5% em 2025, segundo o Banco Mundial. Ainda assim, o comércio internacional e os investimentos seguiram pressionados. Esse movimento refletiu tensões geopolíticas, disputas comerciais e riscos estruturais, como o alto endividamento e a instabilidade das cadeias globais de abastecimento.

No Brasil, o PIB deve crescer 2,16%, conforme o Boletim Focus. Nesse contexto, o PIB agropecuário avançou 11,6% entre janeiro e setembro, de acordo com o IBGE. O mercado de trabalho mostrou resiliência, com taxa de desemprego de 5,6% em setembro. Ao mesmo tempo, a Selic permaneceu em 15%, enquanto o IPCA chegou a 4,46%, no teto da meta.

Em Goiás, os resultados superaram a média nacional. O PIB estadual cresceu 7,7% entre janeiro e abril de 2025, impulsionado principalmente pelo avanço de 16,8% do PIB agropecuário. A indústria também registrou crescimento de 2,3%. Além disso, o mercado de trabalho apresentou saldo positivo de 79.717 novos postos entre janeiro e setembro. Desse total, a agropecuária respondeu por 10.759 vagas, segundo o Caged.

O Valor Bruto da Produção alcançou R$ 120,9 bilhões, o que representa alta de 13,6% em relação a 2024. Soja, bovinocultura, milho e cana-de-açúcar concentraram 74% desse total, o que reforça o peso do agro na economia goiana.

Clima favorável, custos elevados e impacto na renda

As condições climáticas ao longo de 2024 e no início de 2025 favoreceram a produtividade, especialmente na soja e no milho segunda safra. No entanto, esse avanço não se converteu integralmente em renda. A elevação dos custos de produção, somada à pressão sobre os preços, reduziu os resultados econômicos no campo.

Na pecuária, o aumento do abate de fêmeas marcou o ano. Como consequência, os preços subiram e a arroba entrou em processo de estabilização. Por outro lado, a cadeia do leite enfrentou uma crise severa. Os preços pagos aos produtores ficaram abaixo de R$ 2,00 por litro, patamar insuficiente para cobrir os custos. Esse cenário afetou também as indústrias, especialmente as de queijos, e provocou desorganização da cadeia láctea.

Crédito restrito, comércio exterior e riscos para a safra 2025/2026

A restrição ao crédito intensificou o endividamento rural. Os pedidos de recuperação judicial saltaram de 20 em 2022 para 566 em 2024. Em 2025, até o segundo trimestre, já foram registrados 415 pedidos, o equivalente a 73% do total do ano anterior. Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais concentraram 59,4% dessas solicitações. Além disso, a inadimplência na carteira de crédito rural com recursos direcionados chegou a 11% em outubro.

No comércio exterior, o tarifaço em vigor desde agosto impactou diretamente produtos como carne bovina, açúcar, couros, café e pescados. A estimativa aponta perda de US$ 325,6 milhões nas exportações para os Estados Unidos. A carne bovina respondeu por quase metade desse impacto.

Para a safra 2025/2026, o cenário indica maior pressão sobre a rentabilidade, sobretudo na soja. A produtividade média deve cair cerca de 5%, enquanto o custo operacional segue elevado. Com isso, a renda por hectare tende a recuar de forma significativa, o que aumenta o risco econômico ao produtor rural.

Senar Goiás alcança mais de dois milhões de pessoas em 2025

Mesmo diante de um ambiente desafiador, as ações do Senar Goiás registraram resultados históricos em 2025. Ao todo, mais de dois milhões de pessoas foram beneficiadas em todo o estado. Entre os destaques estão 25 mil produtores atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial, mais de 10 mil treinamentos presenciais e 100 cursos gratuitos na modalidade EAD.

Além disso, a entidade ampliou programas voltados à formação de jovens e mulheres, fortaleceu a infraestrutura de capacitação e expandiu ações sociais. Na área da saúde, foram realizados cerca de 60 mil atendimentos em municípios goianos. Ao mesmo tempo, o incentivo à inovação ganhou espaço com o apoio a mais de 150 startups do setor.

Dessa forma, o balanço apresentado reforça a resiliência do agro goiano, que segue sustentando empregos e produção, mesmo em um cenário de crédito restrito, custos elevados e margens cada vez mais apertadas.

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Editor RuralNews
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TAGS: #Agro Goiano # Crise do crédito
# Produção # Margens # Produtividade #
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