Exportações de tabaco do Brasil batem recorde em 2025
Receita chega a US$ 3,38 bilhões, impulsionada por aumento de 23% no volume embarcado
Brasil mantém liderança mundial nas exportações de tabaco com recorde de receita em 2025. Foto: Sinditabaco / Divulgação
O Brasil registrou, em 2025, o maior valor já alcançado com exportações de tabaco. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com base no sistema ComexStat, apontam que os embarques somaram US$ 3,389 bilhões, resultado 13,85% superior ao registrado em 2024, quando o setor movimentou US$ 2,977 bilhões.
O desempenho supera também o recorde anterior, registrado em 2012, quando as exportações brasileiras haviam gerado US$ 3,272 bilhões em divisas.
Aumento no volume exportado
O principal fator para o crescimento da receita foi o avanço do volume embarcado. Em 2025, o Brasil exportou 561.052 toneladas de tabaco para 121 países, volume 23,23% maior do que o registrado no ano anterior, quando foram embarcadas 455.221 toneladas.
Apesar do forte aumento das vendas, o preço médio por tonelada apresentou recuo. Em 2024, o valor médio ficou em torno de US$ 6.540 por tonelada, enquanto em 2025 caiu para aproximadamente US$ 6.040, uma redução estimada de 7,6%.
Segundo o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, o resultado reflete um crescimento consistente das exportações, impulsionado principalmente pelo aumento do volume negociado.
Ele explica que a queda no preço médio por tonelada fez com que a receita crescesse em ritmo menor que o volume exportado. Em outras palavras, o país vendeu mais tabaco ao exterior, mas com valor médio inferior ao registrado no ano anterior.
Liderança mundial nas exportações
De acordo com Thesing, o desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de tabaco, liderança mantida desde 1993. Nos últimos cinco anos, o país tem registrado uma média anual de embarques de cerca de 515 mil toneladas, gerando aproximadamente US$ 2,6 bilhões em divisas.
O dirigente destaca que esse resultado está diretamente ligado ao Sistema Integrado de Produção de Tabaco, modelo que organiza a relação entre produtores e indústria.
O sistema é amparado pela Lei da Integração, que estabelece regras para os contratos entre empresas e produtores, incluindo volumes, tipos de tabaco a serem cultivados e orientações técnicas de manejo.
Segundo o presidente do SindiTabaco, esse modelo permite alinhar a produção às demandas do mercado internacional, garantindo quantidade e qualidade adequadas ao produto exportado.
Principais destinos do tabaco brasileiro
Em 2025, a Europa manteve-se como o principal destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por 41% do valor total embarcado. O Extremo Oriente aparece em seguida, com 36% das vendas externas.
Outros destinos relevantes incluem África e Oriente Médio (8%), América do Norte (6%), América Latina (6%) e Leste Europeu (3%).
As exportações se concentraram principalmente em alguns mercados internacionais. A Bélgica lidera a lista, com US$ 733,4 milhões. Em seguida aparece a China, com US$ 576,5 milhões.
Na sequência estão a Indonésia, que movimentou US$ 280,4 milhões, e os Estados Unidos, com US$ 195,3 milhões. Também figuram entre os principais destinos o Vietnã, com US$ 148,7 milhões, os Emirados Árabes Unidos, com US$ 139,4 milhões, e a Turquia, que registrou US$ 123 milhões.
Região Sul concentra exportações
A produção brasileira de tabaco é altamente concentrada na Região Sul, responsável por cerca de 96% da produção nacional.
Em 2025, os embarques realizados pelos portos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná somaram 555.222 toneladas, volume 24,34% maior que o registrado em 2024.
Em termos de receita, a região respondeu por 98% das divisas geradas com exportações de tabaco, totalizando US$ 3,315 bilhões, crescimento de 14,91% em relação ao ano anterior.
