CNA discute projeções de safra, preços e vazio sanitário do feijão
Temas foram debatidos durante reunião da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas
Reunião discutiu projeções de safra, preços regionais e medidas de controle fitossanitário. Foto: CNA / Divulgação
A CNA discutiu, nesta quinta-feira (6), as projeções da safra 2025/2026, os indicadores de preços e o vazio sanitário do feijão durante reunião da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas. O encontro reuniu representantes do setor produtivo e especialistas para avaliar tendências e estratégias de manejo.
Projeções indicam leve avanço na área de soja e desafios de rentabilidade
O sócio-diretor da Agroconsult, André Debastiani, apresentou as projeções para a próxima safra de soja e milho. Segundo ele, há expectativa de aumento leve na área plantada, recuperação produtiva e desafios de rentabilidade.
A área de soja deve atingir 48,7 milhões de hectares em 2025/26, alta de 1,9% sobre o ciclo anterior — cerca de 890 mil hectares a mais. O crescimento será puxado por Goiás (+3,0%), Bahia (+3,5%), Mato Grosso (+2,1%) e MAPITO (+4,0%), enquanto o Rio Grande do Sul deve registrar leve retração de 0,8%.
Com base nas tendências de produtividade, a produção potencial pode variar entre 177,7 milhões e 189 milhões de toneladas, dependendo das condições climáticas. Entretanto, os custos seguem elevados e o resultado final dependerá das estratégias de comercialização.
No Médio-Norte de Mato Grosso, o custo é de 46 sacas por hectare. O produtor já comprometeu 28 sacas com insumos e vendeu 21 sacas antecipadamente. No Norte do Paraná, o custo é semelhante, com 45 sacas por hectare, 26 destinadas a insumos e 11 já vendidas.
“O produtor entra na safra 25/26 com custos estabilizados, mas ainda apertados. O ritmo de comercialização é mais lento, o que exige atenção ao mercado”, afirmou Debastiani.
Produção de milho pode cair mesmo com expansão da área
Para o milho, as projeções indicam crescimento de 2,2% na área total, alcançando 22,8 milhões de hectares. A primeira safra deve crescer 3,6%, enquanto a segunda safra tende a subir 1,9%.
Mesmo com a expansão, a produção total pode cair 7,9%, passando de 151 milhões para 139 milhões de toneladas, devido à redução de produtividade, sobretudo na segunda safra.
O presidente da Comissão, André Dobashi, destacou a importância dos dados para o planejamento agrícola. “Essas projeções ajudam a entender o mercado e orientam medidas que tragam previsibilidade ao produtor”, afirmou.
Além disso, ele reforçou que o acompanhamento de área, custos e produtividade é essencial para fortalecer a competitividade das cadeias de grãos.
Indicador de preços do feijão ganha relevância nacional
Durante a reunião, foi apresentado o balanço do Indicador de Preços Regionais do Feijão CNA/Cepea, desenvolvido com o Cepea/Esalq-USP. O projeto consolidou-se como a principal referência de preços do feijão no país, com dados diários coletados em 14 estados e 46 microrregiões.
“A formação de uma base nacional de preços regionais foi o ponto de virada para dar transparência ao mercado e apoiar o produtor”, afirmou o assessor técnico da CNA, Tiago Pereira.
Assim, o indicador contribui para decisões mais seguras sobre comercialização e planejamento.
CNA discute vazio sanitário do feijão e controle de pragas
Outro tema em destaque foi o vazio sanitário do feijão, especialmente nos estados de Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. As discussões abordaram os períodos ideais de interrupção do cultivo, essenciais para o controle da mosca-branca (Bemisia tabaci).
O inseto causa danos diretos pela sucção da seiva e atua como vetor de viroses que reduzem a produtividade.Segundo Pereira, “a definição de um calendário regionalizado é essencial para equilibrar sanidade e competitividade. O vazio sanitário deve considerar as particularidades de cada estado”.
O pesquisador Alcido Wander, da Embrapa Arroz e Feijão, colocou a instituição à disposição para construir uma agenda técnica conjunta sobre o tema. O objetivo é harmonizar critérios e promover um debate nacional entre entidades e governos estaduais.
