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Rentabilidade da soja e do café segue forte no Paraná

Café e soja mantêm margens elevadas no Paraná, mas leite, ovos e suínos convivem com queda de preços e ajustes do mercado

Rentabilidade da soja e do café segue forte no Paraná

Produtores de soja do Paraná seguem com boa lucratividade. Foto: Geraldo Bubniak / AEN

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Foto do autor Redação RuralNews
08/12/2025 |

Os custos de produção continuam sendo o principal fator que determina o desempenho das cadeias agropecuárias do Paraná. A nova edição do Boletim Conjuntural, divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), mostra que rentabilidade, preços, logística e despesas caminham juntos no cenário atual. Apesar das diferenças entre os segmentos, o relatório destaca duas culturas em excelente momento: o café e a soja, que mantêm margens confortáveis para o produtor. Enquanto isso, leite, ovos e suínos enfrentam oscilações de mercado e desafios adicionais.

Café mantém forte rentabilidade

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A cafeicultura vive um de seus melhores momentos recentes. A estimativa para a safra atual chega a 745 mil sacas beneficiadas, aproximadamente 10% acima do volume de 2024. Esse avanço se explica pelas condições climáticas mais favoráveis, com melhor disponibilidade hídrica ao longo do ciclo produtivo.

Além disso, mais de 80% da safra já foi comercializada com preços elevados. A maior parte das negociações superou R$ 2.000 por saca. Mesmo com um recuo sazonal entre julho e agosto, os valores permanecem próximos desse patamar, cerca de 15% acima da média de 2024. Dessa forma, o custo total de produção, hoje em R$ 1.137,00 por saca beneficiada, garante ampla margem ao cafeicultor.

Soja segue com custos estáveis e lucro elevado

No caso da soja, a lucratividade continua atrativa. Os custos variáveis somam R$ 3.212,00 por hectare para a expectativa de 55 sacas produzidas, o que representa aumento leve de apenas 0,76% frente ao ano passado. Esse avanço está ligado principalmente ao transporte externo, às sementes e aos fertilizantes. No entanto, o recuo de 7% no gasto com agrotóxicos ajudou a conter a alta geral.

Enquanto isso, a saca é negociada em torno de R$ 120,00, o que mantém a lucratividade bruta estimada acima de 100%. O plantio também está praticamente concluído no Paraná, com 99% dos 5,77 milhões de hectares previstos já semeados.

Leite enfrenta retração contínua nos preços

O setor lácteo segue em um cenário mais desfavorável. Em novembro, o preço do litro entregue às indústrias caiu 5,74% em comparação a outubro. Dessa forma, o acumulado de queda nos últimos 12 meses já chega a aproximadamente 18%. A maior oferta interna e a pressão das importações influenciam de maneira direta essa realidade.

Somente em outubro, as indústrias paranaenses importaram 250 toneladas de leite em pó, aumento de 25% sobre setembro. No entanto, esse movimento tende a desacelerar a partir de novembro, após a entrada em vigor da lei estadual 22.765/2025. A nova norma proíbe a reconstituição de leite em pó importado no Paraná e pode melhorar o cenário para a produção local ao longo dos próximos meses.

Suinocultura reduz margens após pico de outubro

Por outro lado, a suinocultura registrou em outubro o melhor resultado econômico do ano. A margem atingiu R$ 1,45 por quilo, refletindo preços maiores ao produtor e custos ainda controlados. O valor recebido chegou a R$ 7,22 por quilo, com altas de 0,8% sobre setembro e de 3,8% frente a outubro de 2024.

Ao mesmo tempo, o custo estimado pela Embrapa Suínos e Aves permaneceu em R$ 5,77 por quilo. Contudo, em novembro, a tendência já é de leve redução na rentabilidade, devido à queda de 1,2% no preço pago ao produtor.

Ovos mostram contraste entre exportações e tarifa dos EUA

O mercado de ovos apresenta um cenário dividido. De janeiro a outubro, o Brasil exportou 49,8 mil toneladas de ovoprodutos, alta de 36,8% em relação ao mesmo período de 2024. O faturamento chegou a US$ 163,4 milhões. O Paraná se mantém como o quarto maior exportador do país. Porém, também registra queda no volume embarcado (-33,3%) e na receita (-24,4%), ainda na comparação anual.

Além disso, os Estados Unidos continuam como principal destino dos produtos brasileiros. Contudo, o tarifaço de 50%, imposto em agosto, derrubou as importações. As compras do país caíram de 3.774 toneladas em julho para apenas 41 toneladas em outubro, o que representa retração superior a 80% tanto em volume quanto em receita.

O governo norte-americano retirou a tarifa adicional para alguns produtos brasileiros em novembro de 2025, como café, carnes e frutas tropicais. Entretanto, os ovoprodutos ficaram de fora, deixando o setor em compasso de espera para recuperar o ritmo de crescimento no comércio internacional.

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Editor RuralNews
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TAGS: #Rentabilidade # Soja
# Café # Paraná # Seab # Deral
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