Soja sobe em Chicago após fala de Trump e supera US$ 11
Promessa de compras chinesas anima mercado internacional, enquanto preços no Brasil reagem com cautela
Os preços da soja seguem em alta nos mercados internacionais nesta quinta-feira, impulsionados por declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível aumento das compras chinesas. Após ganhos expressivos na sessão anterior, os contratos futuros avançam novamente na Bolsa de Chicago (CBOT), com o vencimento março subindo 12 pontos e rompendo a marca de US$ 11,00, negociado a US$ 11,04.
Segundo análise divulgada pela Granoeste, Trump afirmou que, após uma longa conversa com o presidente da China, teria convencido o país a adquirir mais 8 milhões de toneladas de soja norte-americana nesta temporada. Somado ao volume já negociado, o total poderia chegar a cerca de 20 milhões de toneladas. Caso esse cenário se confirme, os estoques finais dos Estados Unidos, atualmente estimados em 9,5 milhões de toneladas, tendem a recuar de forma significativa, o que daria sustentação adicional às cotações em Chicago.
Apesar disso, o mercado segue cauteloso. A soja dos Estados Unidos continua mais cara do que a brasileira, o que limita o interesse de compradores privados chineses. Dessa forma, apenas empresas estatais poderiam participar dessas aquisições, desde que recebam subsídios, já que, do ponto de vista econômico, a operação não se mostra competitiva.
Brasil ganha competitividade com avanço da colheita
Enquanto isso, no Brasil, a colheita avança e aumenta a oferta disponível. Esse movimento tende a tornar a soja brasileira ainda mais competitiva no mercado internacional, especialmente diante da redução momentânea das exportações e da consequente queda dos prêmios nos portos. Na quarta-feira, mesmo com a alta da CBOT, os prêmios cederam cerca de 20 pontos nos vencimentos mais próximos.
Além do fator demanda, o mercado acompanha de perto as condições climáticas na América do Sul. No sul do Brasil e na Argentina, as irregularidades seguem no radar, com relatos de perdas irreversíveis em algumas áreas do Rio Grande do Sul. Por outro lado, no Centro-Oeste brasileiro, o excesso de chuvas tem causado transtornos e afetado a qualidade da produção.
No mercado interno, a valorização em Chicago refletiu em alta de aproximadamente 1% a 1,5% nos preços domésticos. Ainda assim, os negócios permanecem pontuais. Produtores, cooperativas e cerealistas aproveitam o momento para realizar vendas seletivas, diante de um cenário ainda marcado por incertezas.
Os prêmios nos portos brasileiros são indicados, no mercado spot, entre 30 e 50 pontos. Para março, variam de 20 a 30 pontos, enquanto para abril ficam entre 10 e 20 pontos. No oeste do Paraná, as indicações de compra giram entre R$ 117,00 e R$ 120,00 por saca. Já em Paranaguá, os valores variam de R$ 127,00 a R$ 130,00, conforme prazo de pagamento, local e período de embarque.

Camilo Motter
Possui graduação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(1981), graduação em Economia pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Cascavel(1985), especialização em Teoria Econômica pela Universidade Federal do Paraná(1989) e mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina(2001). Tem experiência na área de Economia. Atuando principalmente nos seguintes temas:Maximização da Renda, Informação, Comercialização. É diretor da Corretora Granoeste, de Cascavel/PR.