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Controle no Porto de Paranaguá fortalece exportação de grãos

Foto do autor Jair Reinaldo
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Controle no Porto de Paranaguá fortalece exportação de grãos
Fiscalização e controle de qualidade no Porto de Paranaguá ajudam a manter a competitividade dos grãos paranaenses no mercado externo. Foto: IDR-Paraná

Atuação técnica no Porto de Paranaguá assegura padrão de qualidade da soja, milho e farelo de soja exportados, reforçando a confiança dos mercados internacionais

A presença do IDR-Paraná no Porto de Paranaguá tem papel estratégico para manter a qualidade da soja, do milho e do farelo de soja exportados pelo Estado, reforçando a credibilidade do agronegócio paranaense diante dos mercados mais exigentes do mundo. A atuação técnica no principal corredor de exportação do Paraná ajuda a assegurar que as cargas embarcadas sigam os padrões exigidos nos contratos internacionais e cheguem aos destinos com conformidade, rastreabilidade e segurança.

No complexo portuário, o trabalho envolve a auditoria da recepção e do controle de qualidade das cargas que chegam ao Pátio de Triagem, além da classificação dos produtos transportados por ferrovia. Esse modelo de fiscalização é considerado um dos pilares que sustentam a reputação dos grãos paranaenses no comércio exterior, ao garantir equilíbrio na classificação para produtores, tradings e compradores.

A atuação no porto remonta à década de 1980, ainda sob a antiga Claspar, e se consolidou como um mecanismo essencial para padronização dos grãos e preservação da qualidade até o embarque nos navios. No Pátio de Triagem, por onde todos os caminhões precisam passar antes de descarregar, uma empresa privada contratada pela Associação dos Terminais do Corredor de Exportação de Paranaguá (ATEXP) executa o serviço operacional de coleta de amostras e controle de qualidade. Nesse processo, cabe ao instituto fazer a auditoria técnica e garantir que os procedimentos adotados estejam em conformidade com as normas vigentes.

Segundo o coordenador do Pátio de Triagem da Portos do Paraná, Bruno de Paula Guimarães, a classificação tem papel decisivo na qualidade final da exportação. Ele destaca que cada caminhão é analisado individualmente e somente as cargas aptas seguem para o Corredor de Exportação. Nesse contexto, a fiscalização técnica assegura confiabilidade ao processo e ajuda a manter o padrão exigido pelos mercados compradores.

No modal ferroviário, a responsabilidade é ainda mais direta. Diferentemente do sistema rodoviário, a classificação das cargas transportadas por trem fica sob responsabilidade integral do IDR-Paraná, com apoio de empresas controladoras credenciadas. A atuação técnica nesse segmento é considerada decisiva, especialmente pelo grande volume movimentado e pela necessidade de precisão absoluta para evitar desvios de qualidade em grandes composições que abastecem os navios no porto.

Paraná mantém diferencial na exportação de grãos

Um dos fatores que tornam Paranaguá único no cenário portuário brasileiro é o sistema de exportação em “pool”, modelo que integra diferentes terminais no chamado Corredor de Exportação. Nesse sistema, grãos e farelos de diversas origens compõem estoques que serão embarcados nos navios, exigindo um controle rigoroso para que a qualidade não se perca ao longo da operação.

De acordo com o gestor da qualidade e classificação do instituto, Wagner Spirandelli, esse modelo exige um acompanhamento técnico robusto tanto no transporte rodoviário quanto no ferroviário. No caso das cargas que chegam por trem, a responsabilidade sobre a recepção dos estoques e a conformidade da qualidade é integral, o que reforça a importância do controle público em uma operação de grande escala e alto valor agregado.

Para sustentar esse nível de exigência, o porto conta com estrutura técnica permanente, incluindo equipes em atuação 24 horas no Pátio de Triagem e no setor ferroviário, além de um laboratório especializado em Paranaguá. No local, são realizados testes físico-químicos que vão além da classificação visual, com análises de proteína, umidade, gordura residual, fibras, cinzas e outros parâmetros que determinam a qualidade intrínseca dos produtos antes do embarque.

No caso do farelo de soja, esse controle é ainda mais estratégico. A medição precisa do teor de proteína, por exemplo, é um diferencial competitivo relevante em mercados considerados premium, como Europa e Ásia, onde a exigência por especificações técnicas é elevada. A precisão laboratorial ajuda a garantir que o produto paranaense atenda aos padrões internacionais e mantenha espaço em mercados de maior valor.

A presença das equipes técnicas também contribui para reduzir intercorrências operacionais e eventuais irregularidades. Segundo profissionais que atuam há décadas no porto, os casos de cargas fora do padrão são hoje pontuais e rapidamente solucionados, com apoio de órgãos como Ministério da Agricultura, Polícia Federal, autoridades portuárias, Polícia Militar e Guarda Municipal quando necessário.

Os resultados dessa estrutura se refletem também no volume movimentado. Em 2025, o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá bateu recorde ao receber 507.915 caminhões, alta de 29,5% em relação a 2024. A soja em grão liderou o fluxo, representando mais de 61% dos acessos, seguida pelo farelo de soja e pelo milho. Em outro marco operacional, a unidade registrou movimentação diária recorde de 2.523 caminhões em um intervalo de 24 horas, superando inclusive a projeção de atendimento.

Todo esse fluxo é organizado pelo sistema Carga Online, que define janelas de acesso e destinação das cargas aos terminais exportadores, reduzindo filas, melhorando a logística e evitando impactos no trânsito da região portuária. A eficiência também foi reforçada pelo aumento do calado operacional nos berços de granéis sólidos, que elevou a capacidade média de embarque em até 1,5 mil toneladas por navio.

Na prática, esse conjunto de fiscalização, estrutura laboratorial e eficiência logística ajuda a sustentar um dos principais diferenciais competitivos do Porto de Paranaguá: a confiança na qualidade e no peso das cargas, aliada à agilidade dos embarques. Esse tripé fortalece a posição do Paraná no comércio internacional e contribui para que soja, milho e farelo embarcados pelo porto mantenham valorização e reconhecimento nos mercados globais.