Clima seco deixa produtores do Sul de MS em alerta
A restrição de água pode comprometer a formação e o peso dos grãos, refletindo na produtividade e no rendimento das lavouras
Lavouras no sul de Mato Grosso do Sul enfrentam restrição hídrica em fase decisiva para o enchimento dos grãos. Foto: Adriana Freitas (Técnica de campo região Sul Aprosoja/MS)
A irregularidade das chuvas e a previsão de volumes abaixo da média histórica nos próximos dias colocam produtores da região sul de Mato Grosso do Sul em alerta. O cenário preocupa porque coincide com o estádio fenológico R5, fase de início do enchimento de grãos. A falta de água nesse momento pode prejudicar a formação e o peso dos grãos, além de reduzir a produtividade e o rendimento final das lavouras.
Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul, CEMTEC, mostram que, entre 1º e 26 de janeiro, vários municípios do sul do estado registraram chuva abaixo da média histórica. Em algumas localidades, o déficit hídrico chegou a 62% em relação ao esperado para o período. Em Fátima do Sul, por exemplo, o acumulado foi de apenas 67 milímetros.
Historicamente, o volume de chuva esperado para Mato Grosso do Sul entre fevereiro, março e abril varia de 300 a 500 milímetros, com base em séries climatológicas de 30 anos. Ainda assim, as projeções indicam chuvas irregulares e predominância de volumes abaixo da média histórica nos próximos meses, o que mantém o sinal de atenção no campo.
Até agora, a colheita alcançou 0,7% da área total na região sul. O avanço ocorre de forma gradual, porém em ritmo mais lento que o da safra anterior. As condições climáticas menos favoráveis e o desenvolvimento irregular das lavouras explicam o atraso.
O pico da colheita deve ocorrer entre o início de fevereiro e a metade de março, com conclusão prevista para maio. A estimativa aponta produção estadual de 15,1 milhões de toneladas e média de 52,8 sacas por hectare.
