Soja inicia a semana em queda em Chicago com pressão da safra brasileira
Mercado reflete recuo do petróleo, avanço da colheita no Brasil e cautela dos produtores diante dos preços
Avanço da colheita da soja no Brasil amplia a oferta e pressiona os preços no mercado internacional. Foto: Canva
A soja iniciou a semana em campo negativo na Bolsa de Chicago. Na manhã desta segunda-feira, o contrato março recuava cerca de 5 pontos, cotado a US$ 10,59 por bushel. No último pregão, os primeiros vencimentos registraram perdas entre 8 e 9 cents.
Ao longo da semana passada, o mercado oscilou entre altas e baixas, encerrando praticamente estável. Já em janeiro, o acumulado ainda indica valorização de pouco mais de 3%. Apesar disso, o ambiente externo segue limitando movimentos mais consistentes de recuperação.
O mercado da soja acompanha a forte queda do petróleo e de metais preciosos, diante da redução das tensões geopolíticas, especialmente entre Irã e Estados Unidos. O petróleo chegou a cair cerca de 6% durante a madrugada e, no momento, recua em torno de 4,5%.
Além disso, fatores fundamentais seguem impedindo uma reação mais firme dos preços. A entrada da safra brasileira no mercado internacional aumenta a oferta e atrai compradores, enquanto os Estados Unidos, com valores mais elevados, perdem competitividade.
As informações constam na análise semanal da Granoeste, que destaca um cenário de pressão combinada entre fatores externos e fundamentos do mercado.
Avanço da colheita no Brasil pressiona preços
No Brasil, a colheita avança, mas enfrenta irregularidades climáticas. Chuvas excessivas atingem regiões do Norte, onde os trabalhos seguem em ritmo acelerado. Por outro lado, o Sul registra falta de precipitações, afetando lavouras mais tardias.
Levantamento da consultoria Safras aponta que a colheita nacional alcança 8,2% da área, ante 7,6% no mesmo período do ano passado. A média histórica para este momento é de 10,3%. No Mato Grosso, o IMEA estima avanço de 25%, bem acima dos 12,2% registrados no mesmo ponto de 2025 e da média histórica de 12,6%.
Já no mercado interno, a queda acentuada dos preços nas últimas semanas mantém os produtores mais retraídos. No entanto, o pico da colheita ainda está por vir. Com isso, a expectativa é de elevação dos custos logísticos, o que tende a sustentar a pressão sobre os preços no interior.
Nos portos brasileiros, os prêmios no mercado spot variam entre 50 e 65 pontos. Para março, as indicações ficam entre 30 e 45, enquanto abril opera entre 30 e 40 pontos. No oeste do Paraná, as indicações de compra oscilam entre R$ 115,00 e R$ 118,00. Em Paranaguá, os valores variam de R$ 124,00 a R$ 127,00, conforme prazos de pagamento, local e período de embarque.
