Preços de fertilizantes sobem até 20% nos portos em janeiro
Alta é sustentada por fatores sazonais e riscos geopolíticos globais, como as tensões entre Estados Unidos e Irã
Preços dos fertilizantes seguem em alta nos portos brasileiros, pressionados por fatores sazonais e riscos geopolíticos globais. Foto: Canva
Os preços dos fertilizantes iniciaram 2026 em patamares elevados no Brasil. Segundo relatório semanal da StoneX, as cotações seguem acima das registradas no início de 2025.
Na última semana de janeiro, a ureia negociada nos portos brasileiros operou cerca de 10% acima do nível observado no mesmo período do ano passado. Já o SSP e o cloreto de potássio (KCl) acumularam altas próximas de 20% na comparação anual.
De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, esse movimento não se limita ao mercado brasileiro. Pelo contrário, a valorização ocorre em diversos países, o que indica um fenômeno global.
Fatores sazonais e riscos geopolíticos sustentam as altas
Entre os principais fatores, destacam-se elementos sazonais. A preparação para aplicações agrícolas em várias regiões do mundo aumenta a demanda por fertilizantes neste período. Além disso, riscos geopolíticos ampliam a volatilidade do mercado.
As tensões entre Estados Unidos e Irã ganham relevância nesse cenário. O Oriente Médio exerce papel estratégico na produção de nitrogenados. Assim, qualquer instabilidade na região tende a pressionar os preços.
Nos Estados Unidos, o início do ano marca a retomada das compras para a safra de primavera. Tradicionalmente, as importações crescem entre fevereiro e abril. Esse movimento fortalece a demanda e impacta tanto o mercado interno quanto os países exportadores.
China, Índia e cautela do comprador brasileiro
Na China, o primeiro semestre também exige atenção. Apesar de ser grande produtora, o impacto sazonal nas importações é limitado, com exceção do KCl, cujas compras costumam crescer no início do ano.
Por outro lado, o principal efeito chinês ocorre nas exportações. Em momentos estratégicos, o governo pode restringir as vendas externas para priorizar o mercado interno. Essa postura reduz a oferta global e intensifica a disputa por cargas. Para alguns produtos, essas restrições podem se estender até o segundo semestre de 2026.
Outro fator relevante envolve a Índia, diante da expectativa de um novo certame de compras. Caso o país anuncie uma nova rodada nas próximas semanas, a demanda pode coincidir com um período-chave para Estados Unidos, Canadá, China e Europa, reforçando o viés altista.
Diante desse cenário, a StoneX avalia que os compradores brasileiros tendem a adotar uma postura mais cautelosa. Os preços elevados, somados a relações de troca pouco atrativas, reduzem o estímulo para a antecipação das compras da próxima temporada.
