Inflação desacelera para 0,26% em maio
Alta na energia elétrica pressiona grupo Habitação, mas queda nos alimentos e transportes ajuda a conter avanço da inflação em maio
Aumento nos preços da energia elétrica residencial (3,62%) exerceu impacto 0,14 p.p. no índice geral em maio. Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,26% em maio, após registrar 0,43% em abril. No ano, o índice acumula alta de 2,75% e, em 12 meses, de 5,32%. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado foi influenciado principalmente pela alta no grupo Habitação, que subiu 1,19%, puxado pelo reajuste na energia elétrica residencial (3,62%). A mudança da bandeira tarifária para a amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, foi um dos fatores que impulsionaram esse aumento.
Apesar do impacto da energia, outros grupos ajudaram a conter o avanço do índice, como Alimentação e bebidas, que passou de 0,82% em abril para 0,17% em maio, e Transportes, que caiu 0,37%. “Esses dois grupos compensaram a alta da Habitação, influenciando diretamente no recuo do índice geral”, explicou Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.
Entre os alimentos que registraram queda estão o tomate (-13,52%), arroz (-4,00%), ovo de galinha (-3,98%) e frutas (-1,67%). Já a batata-inglesa (10,34%) e a cebola (10,28%) puxaram as altas. A queda do tomate foi atribuída ao avanço da safra de inverno, enquanto a alta da batata reflete a oferta ainda limitada.
No setor de Transportes, destacaram-se as reduções nas passagens aéreas (-11,31%) e nos combustíveis, como óleo diesel (-1,30%), etanol (-0,91%) e gasolina (-0,66%). Segundo Gonçalves, a queda nas passagens é típica do período entre temporadas de férias, enquanto a redução no etanol foi favorecida por corte na tributação.
Outros grupos apresentaram variações mais moderadas: Saúde e cuidados pessoais (0,54%), Vestuário (0,41%) e Despesas pessoais (0,35%). Já Artigos de residência recuaram 0,27%.
Regionalmente, Brasília teve a maior alta (0,82%), impulsionada pelos aumentos da energia elétrica (9,43%) e gasolina (2,60%). A menor variação ocorreu em Rio Branco (0,00%), com destaque para quedas no ovo de galinha e no arroz.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, subiu 0,35% em maio. No acumulado do ano, registra alta de 2,85%, e de 5,20% nos últimos 12 meses. Assim como o IPCA, o INPC também mostra desaceleração em relação ao mês anterior (0,46%).
