Regional: BR
HOME | Notícias | Novas tecnologias

Calor extremo pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até 2100

Mapas da Embrapa indicam que altas temperaturas podem inviabilizar o cultivo de alface em campo aberto no Brasil até 2100

Calor extremo pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até 2100

Cultivo de alface enfrenta risco climático crescente devido ao calor extremo. Foto: Rodrigo Baldassim / Divulgação

2568
Foto do autor Redação RuralNews
07/09/2025 |

Plantar alface ao ar livre no Brasil pode se tornar cada vez mais difícil nas próximas décadas. Isso porque mapas de risco climático elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), com base em projeções do Inpe e modelos do IPCC, indicam que, até o fim do século, quase todo o território brasileiro enfrentará risco alto ou muito alto para o cultivo da folhosa. Além disso, as previsões mostram que o verão será a estação mais crítica, com temperaturas que podem ultrapassar 40°C — muito acima do ideal para a alface, que exige clima ameno e umidade equilibrada.

Cenários climáticos e impactos sobre o cultivo

Publicidade
Banner publicitário

A pesquisa considerou dois cenários: um otimista, com controle parcial das emissões de gases de efeito estufa, e outro pessimista, em que as emissões continuam crescendo até 2100. Em ambos os casos, as perspectivas não são animadoras. Portanto, compreender esses impactos é essencial. Segundo Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador em Mudanças Climáticas Globais da Embrapa, isso permite antecipar riscos e desenhar estratégias de adaptação, evitando prejuízos futuros.

Diante desse cenário, a pesquisa foca em duas frentes principais: desenvolver cultivares de alface mais tolerantes ao calor e criar sistemas de produção sustentáveis. Além disso, entre os sistemas regenerativos estão o plantio direto de hortaliças (SPDH) e o cultivo orgânico com compostagem e bioinsumos, que restauram a fertilidade do solo e a biodiversidade. Por outro lado, sistemas adaptados ao clima utilizam tecnologias e estratégias para evitar perdas, como cultivo em ambientes protegidos ou controlados e zoneamento agroclimático.

Projeções até 2100

Calor extremo pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até 2100

Os mapas de risco climático foram construídos com base em dados do Inpe, usando o modelo ETA, validado para o Brasil e América Latina. Além disso, para simular os cenários futuros, os pesquisadores utilizaram os Caminhos de Concentração Representativos (RCPs) do IPCC. No cenário otimista (RCP 4.5), a temperatura global aumentaria entre 2°C e 3°C até 2100. Já o cenário pessimista (RCP 8.5) projeta elevação de até 4,3°C, com crescimento contínuo das emissões.

As projeções mais alarmantes ocorrem no verão entre 2071 e 2100. No RCP 4.5, 79,6% do território apresenta risco alto e 17,4% risco muito alto. No RCP 8.5, 87,7% do país entra na categoria de risco muito alto, com apenas 11,8% em risco alto. Consequentemente, a urgência em pensar em sistemas produtivos adaptados ao clima é evidente, especialmente para hortaliças, mais sensíveis do que culturas como milho ou soja.

Calor extremo pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até 2100

Cultivares e tecnologia

Para enfrentar esses desafios, a Embrapa prioriza cultivares mais resistentes, como a alface BRS Mediterrânea, que é precoce e fica menos dias no campo, reduzindo a exposição ao calor. Além disso, o sistema radicular vigoroso dessa cultivar melhora o aproveitamento de água e nutrientes do solo, aumentando sua tolerância ao estresse hídrico.

O produtor Rodrigo Baldassim, de São José do Rio Pardo (SP), confirma os benefícios: “Essa cultivar representa 80% da alface crespa que planto. Ela resiste melhor às altas temperaturas, mantém padrão comercial e demora mais para pendoar, entregando maior volume de folhas.”

Próximas fases da pesquisa

Ainda há carência de estudos sobre os impactos de cenários climáticos futuros para hortaliças. Além disso, análises econômicas predominam, mas os desafios climáticos também afetam segurança e soberania alimentar, em linha com o conceito de Saúde Única (One Health).

Os próximos passos incluem uso de dados mais precisos da WorldClim e modelos do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC. Novos mapas considerarão precipitação e necessidade hídrica de diferentes hortaliças, expandindo a pesquisa para tomate, batata e cenoura. Além disso, inteligência artificial será usada para agilizar a geração dos mapas e ampliar o alcance do estudo.

Desordens causadas pelo calor

Altas temperaturas também provocam desordens fisiológicas na alface, como a queima de borda (tipburn), causada por deficiência de cálcio, e florescimento precoce (pendoamento), que compromete o padrão comercial e aumenta a produção de látex amargo. Portanto, a adaptação da produção de alface às mudanças climáticas é urgente, e o uso de mapas de risco climático e cultivares resistentes será fundamental para garantir a viabilidade do cultivo em campo aberto nas próximas décadas.

...
Editor RuralNews
Vamos deixar essa matéria mais interessante com seu ponto de vista? Faça um comentário e enriqueça esse conteúdo...

TAGS: #Alface # Embrapa
# Calor Extremo # Cultivo de alface # Campo Aberto # Brasil
Publicidade
Banner publicitário

Leia também

Publicidade
Banner publicitário
Publicidade
Banner publicitário