Instituto de Pesca pesquisa tanques-rede de grande volume na piscicultura continental
Estudos avaliam qualidade da água e desempenho produtivo da tilápia em reservatórios, com foco em sustentabilidade e inovação
Tanques-rede de grande volume são utilizados em pesquisas do Instituto de Pesca para aprimorar a produção sustentável de tilápias. Foto: Instituto de Pesca
O Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolve há mais de uma década pesquisas sobre o uso de tanques-rede de grande volume na piscicultura continental, com ênfase na produção de tilápias e na qualidade da água.
As investigações buscam aprimorar sistemas produtivos intensivos, conciliando eficiência econômica e sustentabilidade ambiental.
Pesquisas ocorrem em reservatório paulista
Desde 2017, os estudos são conduzidos pela Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental do Instituto de Pesca, localizada em São José do Rio Preto (SP), em parceria com a empresa Fisher Piscicultura Água Vermelha.
Os experimentos ocorrem em tanques-rede instalados na área aquícola da empresa, no reservatório de Água Vermelha. Já as análises ambientais e produtivas são realizadas na unidade do Instituto.
Sistema de cultivo alia produtividade e manejo eficiente
Os tanques-rede de grande volume são estruturas flutuantes, confeccionadas com materiais resistentes, como duralumínio e telas de aço inox. O sistema é utilizado para o cultivo intensivo de peixes em reservatórios de usinas hidrelétricas, lagos e outros corpos hídricos com grande circulação de água.
Entre as principais vantagens estão a alta produtividade, o aproveitamento do fluxo natural da água, a facilidade de manejo e despesca, além da flexibilidade operacional e do cultivo escalonado ao longo do ano.
Monitoramento avalia parâmetros ambientais e produtivos
A área acompanhada pelo Instituto de Pesca conta com mais de 70 tanques-rede de 450 metros cúbicos, povoados com cerca de 2,1 milhões de tilápias. As coletas de dados são realizadas mensalmente em três pontos estratégicos da área aquícola.
São avaliados parâmetros como temperatura da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, condutividade elétrica e transparência. Além disso, nutrientes e compostos nitrogenados, como fósforo total, nitrito, nitrato e amônia, são analisados em laboratório no próprio Instituto.
Resultados indicam manutenção da qualidade da água
Os resultados demonstram que os parâmetros de qualidade da água permaneceram dentro das faixas adequadas para a piscicultura, conforme as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama nº 375/2005 e 413/2009).
De modo geral, não foram observadas diferenças significativas entre os pontos de coleta, resultado atribuído à ação das correntes naturais do reservatório, que favorecem a dispersão e a renovação da água.
Pesquisa deve avançar para novos reservatórios
Segundo a pesquisadora do Instituto de Pesca e responsável pelo estudo, Daniela Castellani, os trabalhos reforçam a importância da ciência aplicada para o fortalecimento da aquicultura nacional.
“As pesquisas promovem inovação, sustentabilidade e competitividade no setor. Em 2026, será iniciado um novo projeto com tanques-rede de grande volume no Reservatório de Itaipu, ampliando ainda mais os estudos nessa área”, destaca.
