Soja sobe em Chicago, mas mercado brasileiro segue lento
Clima seco na Argentina e dólar fraco sustentam alta na CBOT, enquanto colheita e câmbio pressionam preços no Brasil
Clima adverso na Argentina sustenta a alta da soja em Chicago, enquanto colheita pressiona o mercado brasileiro. Foto: Canva
A soja opera em alta na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta quarta-feira, com avanço de 10 cents no contrato março, cotado a US$ 10,77. No dia anterior, os primeiros vencimentos já haviam registrado ganhos entre 4 e 5 pontos. Segundo análise da Granoeste, o mercado encontra sustentação principalmente nas condições climáticas adversas na América do Sul e no cenário cambial internacional.
A continuidade do tempo quente e seco em grande parte das áreas produtoras da Argentina mantém o suporte às cotações. Ao mesmo tempo, a fraqueza do dólar frente a outras moedas reforça a competitividade das exportações norte-americanas. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda dos EUA frente a uma cesta de divisas, permanece nos níveis mais baixos dos últimos quatro anos, fator que estimula as vendas externas do país.
Além disso, o mercado acompanha as decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil. A expectativa predominante indica manutenção das taxas, embora parte dos investidores ainda considere possível algum ajuste para baixo, especialmente nos EUA. Esse cenário segue influenciando o comportamento das moedas. No Brasil, os juros elevados continuam atraindo capital externo e sustentando a valorização do real.
Brasil sente pressão da colheita e do câmbio
No mercado doméstico, os negócios avançam de forma lenta. Os preços sofreram forte pressão nas últimas semanas, à medida que a colheita se aproximou e começou a ganhar ritmo. A entrada de uma safra volumosa reduz os prêmios, movimento típico deste período do ano. Além disso, o câmbio recuou de forma consistente e já opera abaixo de R$ 5,20, o que limita a formação dos preços internos.
Nos portos brasileiros, os prêmios spot variam entre 65 e 85 cents por bushel. Para março, as indicações ficam entre 35 e 55 cents, enquanto para abril variam de 30 a 40 cents.
No interior do Paraná, as indicações de compra giram entre R$ 116,00 e R$ 120,00 por saca no oeste do Estado. Em Paranaguá, os valores ficam entre R$ 126,00 e R$ 128,00, conforme o prazo de pagamento, o local de origem e o período de embarque.
